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Textos sobre Envelhecimento

versão impressa ISSN 1517-5928

Textos Envelhecimento v.3 n.5 Rio de Janeiro  2001

 

Universidade para a terceira idade: uma lição de cidadania

Sára Nigri Goldman

 

Resumo

Seriam as universidades para a terceira idade locais para aprender-ensinar lições de cidadania? Foi esta a indagação central que norteou a elaboração do presente artigo. A pesquisa de campo foi realizada na Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e na Universidade da Terceira Idade da Universidade Veiga de Almeida, através de reuniões com os idosos, onde foram aplicados formulários com perguntas abertas e fechadas. Procuramos dar voz aos alunos e garantir, na medida do possível, a autenticidade de suas falas, ora de esperança, ora de desencanto, ora de crítica, ora de adesão aos programas das universidades. Buscamos mostrar a variedade e a riqueza dos depoimentos desses sujeitos que se propuseram a se mostrar e a nos permitir conhecer seus desejos, suas decepções e suas expectativas. Entendemos que através de atividades e programas de extensão, articulados às pesquisas e ao ensino, a universidade pode se constituir em canal privilegiado, não exclusivo, no debate e na ação do resgate da cidadania do idoso, tão ameaçada nessa conjuntura sob o impacto da globalização e que tende a excluir os mais vulneráveis do processo produtivo, entre os quais se situam os idosos.

Palavras-chave: idoso; envelhecimento da população; educação continuada.

 

  1. Introdução
  2. Seriam as universidades para a terceira idade locais para aprender-ensinar lições de cidadania? Foi esta a indagação central que norteou a tese que defendemos em março de 1999. Numa primeira aproximação, sinalizamos que o enfrentamento das dificuldades impostas pelo processo de envelhecimento há que ser viabilizado, prioritariamente, pelo próprio contingente idoso, enquanto cidadão de direitos e de deveres.

    Para dar conta da amplitude do tema, o trajeto metodológico que percorremos caminha em direção ao pluralismo. A complexidade dos assuntos nos remeteu à leitura de livros, artigos e textos, que sistematizamos e buscamos apresentar de forma panorâmica, deixando pistas para que os leitores busquem o aprofundamento dos mesmos. A questão teórica que embasa a temática teve como escopo iluminar e aproximar os conhecimentos à investigação empírica através da pesquisa de campo que empreendemos em duas universidades destinadas ao contingente idoso, uma pública, a Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UnATI-UERJ), e uma privada, a Universidade da Terceira Idade da Universidade Veiga de Almeida (UTI-UVA), ambas localizadas no município do Rio de Janeiro.

    A escolha dessas duas unidades não foi casual. A UnATI-UERJ é a universidade pública mais relevante no que diz respeito ao ensino, à pesquisa e a extensão na área do envelhecimento. No que concerne às particulares, a escolha recaiu na experiência mais antiga, anterior até à universidade pública, e que apresenta uma proposta pedagógica diferenciada.

    A pesquisa de campo, realizada entre outubro e dezembro de 1996, abarcou 106 alunos da UERJ e 39 alunos da UVA. Distribuímos previamente os formulários, com questões abertas e fechadas em reuniões com 10 grupos na UERJ e dois na UVA, onde apresentávamos a pesquisa, seus objetivos e solicitávamos a participação dos alunos. Essas reuniões se constituíram, também, uma oportunidade de aproximação do pesquisador com os sujeitos da pesquisa, além de propiciar debates sobre os temas. Essas dinâmicas de grupo foram incorporadas à pesquisa e, sem dúvida, enriqueceram, com o debate coletivo, o nosso trabalho.

    Procuramos dar voz aos alunos e garantir, na medida do possível, a autenticidade de suas falas, ora de esperança, ora de desencanto, ora de crítica, ora de adesão aos programas das universidades. Buscamos, enfim, mostrar a variedade e riqueza dos depoimentos desses sujeitos que se propuseram a se mostrar e a nos permitir conhecer seus desejos, suas decepções e suas expectativas.

    Temos assistido à ampliação de estudos sobre envelhecimento nas áreas de saúde, de engenharia genética, nas ciências sociais, na psicologia, na psicanálise, na educação, enfim, em quase todas as áreas do conhecimento. Estereótipos do "velho coitadinho" ou do "velho estigmatizado" ainda percorrem alguns estudos. Mas constroem-se novos estereótipos do "idoso com aparência-comportamento jovem", do "idoso produtivo", do "idoso que freqüenta grupos de cultura e lazer". Note-se que já não se fala mais de "velhos", termo politicamente incorreto para se referir ao ser que envelhece. Trata-se da Terceira Idade como uma nova etapa da vida e esconde-se o antigo "velho" sob uma nova roupagem. Criam-se, ao nosso entender, novos estereótipos, onde o ser que envelhece é cobrado para se integrar em atividades físicas, em atividades culturais e de lazer, mesmo que seu interesse passe longe disso. Por outro lado, ele parece responsável pelas mazelas e pelas doenças que a velhice pode acarretar. E ele, cidadão de direitos e de deveres, vê sua autodeterminação minada por modelos que teimam em adequá-lo ao sabor da moda.

    Entendemos que através de atividades e programas de extensão, articulados às pesquisas e ao ensino, a universidade pode se constituir um canal privilegiado, não exclusivo, no debate e na ação do resgate da cidadania do idoso, tão ameaçada nessa conjuntura sob o impacto da globalização e que tende a excluir os mais vulneráveis do processo produtivo, entre os quais se situam os idosos.

    Outro eixo de investigação se refere à questão da cidadania, tão falada, decantada e desgastada, que sua simples menção parece esvaziar-lhe o conteúdo de origem. Nossa dúvida, razão de ser dessa tese, pode ser assim resumida: seriam as universidades destinadas à terceira idade, locus de exercício da cidadania do idoso? A experiência acumulada já nos apontava algumas quase certezas: tais universidades eram espaços de sociabilidade e de aquisição e intercâmbio de conhecimentos. Mas até que ponto a questão política permeava os programas? Como era tratada a dimensão política nessas universidades? Como os alunos entendiam a questão política? Como avaliavam a política e os políticos brasileiros? Que importância os alunos atribuíam à dimensão política? Qual o perfil desse alunado? O que buscam nessas universidades? O que mudou em suas vidas com a inserção nas universidades? Seriam diferenciados os programas, as propostas e os projetos da universidade pública e da particular?

    Foram essas as principais dúvidas que tentamos responder nessa pesquisa. Mais do que um estudo acadêmico, a tese foi uma exercício de amor, de confiança, de esperança em dias melhores, em sujeitos que possam decidir seus rumos, em velhices que fujam de estereótipos, de subjetividades que sejam respeitadas em suas peculiaridades e singularidades, sujeitos históricos de suas vidas pessoais e sociais.

    Teceremos, primeiramente, alguns comentários sobre aspectos relativos ao envelhecimento populacional e, em seguida, à cidadania do idoso; finalmente, apresentaremos os resultados da pesquisa.

  3. Envelhecimento em questão
  4. Buscamos analisar aspectos demográficos da sociedade brasileira, apontando as mudanças em sua pirâmide etária e verificando nos últimos 30 anos uma participação crescente da população idosa. As Tabelas e gráficos do IBGE revelam a tendência ascensional de tal participação nas próximas décadas em nível nacional.

    Os dados do Censo Demográfico de 1991 revelam, no Município do Rio de Janeiro, uma participação da população idosa em 11,36%, índice maior do que a média nacional, situada em torno de 7,06%. Denotam também que a problemática da velhice atinge mais o contigente feminino (12,76%) do que o masculino (9,55%) acompanhando, assim, a tendência universal da expectativa de vida mais ampliada entre as mulheres.

    O processo de envelhecimento não se resume aos aspectos demográficos. Sua complexidade exige que seja estudado por diversas disciplinas, sob múltiplos ângulos. É um fenômeno que percorre toda a história da humanidade, mas que apresenta características diferenciadas de acordo com a cultura, com o tempo e com o espaço. O tema só emerge como fenômeno social de alta relevância a partir do nosso século, testemunha de maior expectativa de vida e de avanços nas áreas da saúde, do saneamento básico, da tecnologia e da questão ambiental, principalmente nos países do chamado Primeiro Mundo. As condições objetivas de vida da população interferem diretamente sobre o envelhecimento, tanto no aumento quantitativo da expectativa de vida quanto na qualidade oferecida aos que envelhecem através de políticas sociais, principalmente nas áreas da saúde, da previdência e da assistência. Nos países onde se instaurou o Estado de Bem-Estar Social, os idosos contaram, como os demais setores mais frágeis da sociedade, com programas e serviços que lhes garantiam um final de vida amparado, pelo menos do ponto de vista material. Não é, portanto, por acaso que os países da Europa, os Estados Unidos da América e o Japão são os de maior expectativa de vida, além de apresentarem uma participação expressiva de pessoas com mais de 60 anos nas pirâmides etárias de suas respectivas regiões.

    A própria Organização Mundial de Saúde tem parâmetros diferenciados para o início do processo de envelhecimento. Entende, desde 1982, que nos países mais ricos o patamar começa aos 65 anos enquanto que nos países subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento para os mais otimistas) se inicia aos 60 anos.

    O envelhecimento, portanto, mesmo se referindo a uma faixa etária determinada, tem suas especificidades marcadas pela posição de classe social, pela cultura e pelas condições sócio-econômicas e sanitárias individuais e/ou coletivas da região.

    A partir da bibliografia lida e de nossas próprias concepções, entendemos o envelhecimento como um processo que ocorre em cada pessoa, individualmente, mas condicionado a fatores sociais, culturais e históricos, que vão rebater na sociedade como um todo, envolvendo os idosos e as várias gerações. Por seu caráter multifacetado, o envelhecimento abarca múltiplas abordagens: físicas, emocionais, sociais, econômicas, políticas, ideológicas, culturais, históricas, dentre outras. A conjuntura marca as diversas formas de viver e de conhecer o envelhecimento, assim como as determinações culturais tomam formas diferenciadas no tempo e no espaço. Outro diferencial se refere à posição de classe social que os indivíduos ocupam. Pessoas que vivem em locais com saneamento adequado, em residências limpas, alimentação balanceada, serviços de saúde eficientes, rede de transporte coletivo que atende às demandas da população, rede de ensino competente em todos os graus, têm melhores condições de viver e envelhecer bem do que aquelas excluídas dos serviços citados. A pobreza é mais dolorosa entre os idosos, pois faltam-lhes as mínimas condições de sobrevivência. Um dado revelador dessa situação se refere aos aposentados e pensionistas do INSS, em que 70% recebem um salário mínimo por mês.

    Num país como o nosso, com um vasto contingente de pobres de todas as idades, com uma política de saúde caótica, com benefícios previdenciários ínfimos, com a assistência social praticamente inerte e com um forte preconceito com os idosos, não é difícil presumir as dificuldades que os velhos, principalmente os mais pobres, vivenciam.

    Mas o preconceito, a rejeição dos familiares, a incompreensão não se referem somente aos pobres. Não estamos querendo colocar os idosos como vítimas inocentes de um complô social. Entendemos os idosos como sujeitos históricos e, como tal, criadores e criaturas da sociedade da qual fazem parte. E, enquanto vivem, continuam a aprender permanentemente, repassando o que sabem para a sua e para as demais gerações. A função social e política dos velhos há que ser conquistada no cotidiano, construída e, sempre em processo de dinamismo, compatível com a sociedade.

    Entendemos o tempo não só como cronologia, mas como vivência, aprendizagem e luta. Compartilhamos o ideário de Joel Martins, quando alega que somos Kairós, uma dimensão em que a existência não se mede por dias, mas pela qualidade que imprimimos à nossa vida.

    Se a dimensão política é importante nas faixas etárias mais jovens, é crucial na vida dos mais velhos, cuja participação no setor produtivo costuma ser reduzida ou nula. O desencantamento com a política ficou patenteado na pesquisa que empreendemos. Muitos desistem de lutar e isso é altamente prejudicial, pois o espaço de poder não fica vago. Se os idosos não ocuparem seu espaço político, certamente outros o ocuparão, com graves repercussões para os direitos sociais tão duramente conquistados pelos idosos na Constituição de 1988 e na luta vitoriosa pelos 147%.

    Entendemos ser a universidade um dos espaços de sociabilidade, de aquisição de conhecimentos e de participação política dos idosos, mobilizando as demais gerações para uma luta não exclusiva desse segmento.

  5. Debatendo a cidadania dos idosos
  6. Cidadania e políticas sociais

    Falar em cidadania hoje, no Brasil, é quase repetir o lugar comum desgastado, tanto no interior da academia quanto no discurso político. As plataformas de todos os partidos políticos, de todas as chapas de órgãos representativos de classe, os programas de entidades públicas e privadas citam o resgate da cidadania como meta. A cidadania passou a ser uma palavra mágica, a solução de todos os problemas e, em assim sendo, seu significado se esvazia, precisando, por isso, circunscrevê-lo e re-significá-lo.

    Todos os estudiosos da cidadania convergem num ponto: ela só existe como exercício, como ação de seus atores. É nesse sentido que buscaremos analisar o seu quadro teórico e, a seguir, as políticas sociais voltadas para os idosos.

    No Brasil o debate sobre a questão da cidadania, antes restrito aos centros acadêmicos, transborda, nos últimos anos, para a sociedade não só como apropriação do conhecimento mas, principalmente, como possibilidade de exercício na prática social cotidiana. Entretanto, o tema da cidadania no Brasil contemporâneo é delicado. Abre em várias direções e é sempre difícil selecionar um elemento a partir do qual circunscrevê-lo. Com relação à cidadania é preciso frisar que a teoria de T. H. Marshall constitui o incessante manancial ao qual forçosamente se tem que recorrer ao abordar a questão.

    Foi Marshall, no clássico Cidadania, Classe Social e Status, quem analisou as diferentes e intrincadas relações que se estabelecem, historicamente, entre as concepções de classes sociais e cidadania. Seu ponto de partida é o contexto social, econômico e político da Inglaterra no período compreendido entre o século XVIII e o século XX, período em que se consolidam e se aprofundam as disfunções e contradições entre as classes sociais e a cidadania.

    Para Marshall, a noção de classe social expressa desigualdade e diferenciação enquanto a de cidadania afirma, ao contrário, uma igualdade básica entre as pessoas que decorre da participação plena dos indivíduos na comunidade nacional. A noção de cidadania, numa sociedade polarizada em classes sociais, é, pois, contraditória em sua própria origem cabendo a questão: é possível o usufruto da cidadania plena numa sociedade capitalista?

    Marshall traça o conceito de cidadania a partir do conjunto de direitos: os direitos civis, os direitos políticos e os direitos sociais que surgem na Inglaterra em períodos históricos diferenciados.

    Buscamos traçar, neste capítulo, o debate empreendido por intelectuais brasileiros como Carlos Nelson Coutinho, Luiz Werneck Vianna, Evaldo Vieira, Wanderley Guilherme dos Santos e Marcos Coimbra, dentre outros. A interlocução dos referidos intelectuais com Marshall demarca mais diferenças e divergências do que aproximações no que concerne à teoria marshalliana de cidadania. Por outro lado, a importância das políticas sociais atravessa todo esse debate e se mostra uma face visível do exercício da cidadania.

    Podemos inferir ser fundamental que os sujeitos históricos, individuais e coletivos se incorporem ao processo de garantia do usufruto das políticas sociais, lembrando que tal processo se manifesta de forma contraditória na correlação de forças através da qual o capitalismo busca resistir, embora seja obrigado a recuar e a fazer concessões à classe trabalhadora. É nesse embate permanente que a organização da sociedade civil em movimentos sociais pode ser um instrumento de luta política para a garantia dos direitos conquistados e para consecução de novos direitos.

    Cidadania e democracia

    Articular o exercício pleno da cidadania ao regime democrático tem sido uma tônica do pensamento político contemporâneo. Procuraremos sintetizar o pensamento de intelectuais contemporâneos estrangeiros como A. Touraine, J. Habermas, N. Bobbio, Boaventura Santos, e de brasileiros como Evaldo Vieira, Carlos Nélson Coutinho, Leandro Konder, dentre outros, que articulam esses conceitos e têm marcado o pensamento político do ocidente.

    Para Touraine, a condição fundamental para a democracia é que os governados escolham seus governantes, que se sintam cidadãos, o que pressupõe um nível de consciência de pertencer à sociedade política do país. Touraine adverte faltar fundamento para o exercício da cidadania em sociedades que excluem minorias étnicas, nas que estão fragmentadas e se mostram hostis em relação aos diferentes grupos e em nações, como o Brasil, em que as desigualdades sociais são tão acentuadas que não permitem o sentimento de um bem comum.

    Interessante e inovadora a forma que Bobbio adota ao categorizar os direitos em quatro gerações: os de primeira geração seriam os direitos civis e políticos; os de segunda geração seriam os direitos sociais; os de terceira geração, ainda pouco sistematizados, onde se podem incluir os movimentos ecológicos que pleiteiam viver num ambiente não poluído. Quanto aos direitos de quarta geração, o autor refere-se aos efeitos cada vez mais polêmicos da pesquisa biológica, que permite manipulações no patrimônio genético dos indivíduos. Bobbio adverte-nos das possibilidades e dos limites do controle dos poderes constituídos em relação aos direitos de terceira e quarta gerações, que tanto propiciam benefícios quanto malefícios que esses poderes podem representar.

    Randolph Lucas (1985) entende que a democracia perfeita pressupõe o êxito em se chegar a um acordo, que pode ser total, ideal ou pragmático. Se não for possível um acordo, que se tente um compromisso ou, em última instância, uma barganha. E partindo deste consenso coletivo são tomadas as decisões que serão aplicadas a todos, indistintamente, mesmo que algumas pessoas desaprovem. Lucas adverte que muitas pessoas se mostram decepcionadas com a democracia, que, ao contrário do que se imaginava, não tem distribuído benefícios.

    Santos (1996) analisa criticamente os teóricos da cidadania e, numa obra já clássica, intitulada Pela Mão de Alice, pretende analisar a transição entre os paradigmas societais. A originalidade de suas teses e a análise profunda que realiza da conjuntura internacional e, mais especificamente, da portuguesa, aponta as prospeções para uma nova teoria da democracia e da emancipação social.

    As convergências e divergências apontadas por Santos ao se referir à cidadania e subjetividade também ocorrem nas diferenças etárias e nas relações intergeracionais, que se intercruzam com as variáveis de classe social, raça e sexo. Assim, concordamos com a análise do autor de que a pretensa igualdade da cidadania não se coaduna com a diferença da subjetividade, embora reconheça ser fundamental a idéia de cidadania para a realização dos sujeitos individuais e coletivos.

    Já Habermas (1984) caminha em outra direção. Sua análise é polarizada pelo esgotamento do mundo do trabalho e pela busca de novos paradigmas. Ele traduz o estágio atual de desenvolvimento das sociedades capitalistas que, agora, encontra um ponto limite para sua expansão em virtude da Terceira Revolução Industrial marcada pela substituição da força de trabalho pelas tecnologias de produção avançadas na indústria e pelo deslocamento da área mais dinâmica e absorvedora de mão de obra do setor secundário para o terciário. Disto decorre que o nível de investimentos na produção decresce gradualmente, enquanto a taxa de desemprego apresenta uma escalada surpreendente.

    O debate sobre estado democrático no Brasil tem em Vieira (1992) um foco interessante. Para ele os modelos de governo e de Estado são múltiplos, configurando-se não numa democracia, mas em democracias. Ele adverte sobre os riscos de uma participação meramente formal em que a população teria um simulacro de participação. No caso brasileiro, denuncia, vive-se sob o signo da antropofagia, apoiando sua idéia em Oswald de Andrade.

    Coutinho (1993) observa, com razão, que nas sociedades onde predominam regimes liberais de participação restrita, o Estado é, praticamente, o único sujeito político. Quando ocorre a socialização da política, amplia-se a participação dos sujeitos coletivos e suas complexas redes de poder. Coutinho revela o caráter inclusivo da cidadania e a sua condição de processo, construído socialmente dentro das condições históricas determinadas. A possibilidade do exercício de uma cidadania plena se esvai numa sociedade de classes e marcada pela desigualdade, como o caso do modelo capitalista, na medida em que a ampliação da participação da população no processo político colide com a lógica do capital.

    Leandro Konder (1980) acentua o caráter controvertido do conceito de democracia, mas procura cotejar a prática da democracia às armadilhas engendradas pelo liberalismo. Mesmo datado de 1980, o texto de Konder nos parece muito coerente com o modelo neoliberal com que convivemos na sociedade brasileira nesse fim de milênio. A hegemonia do mercado sob o impacto da globalização põe em xeque o exercício da democracia, não criando as condições objetivas para tornar possível a liberdade e a igualdade, elementos fundantes de qualquer ação democrática.

  7. Debatendo a extensão
  8. Se visto sem o necessário cuidado e rigor, a extensão pode ser considerada mesmo como um esforço de "colonização", de imposição de um grupo de informações, de forma de doutrinação, de socialização. Mas, repensando a extensão, pode-se partir do próprio significado mais comum do termo, que transmite uma idéia de ampliação, alargamento, desenvolvimento, o que lembra não a execução de uma atividade isolada, mas uma presença em que a totalidade da universidade se reproduz. E a extensão, sob tal perspectiva, não é mais um simples ensino com características peculiares, nem uma mera prestação de serviços. Ela pode, inclusive, apontar para um novo conceito de sala de aula onde a formação de um novo profissional se efetua não pela simples transmissão de conhecimentos, com o conseqüente domínio de técnicas por ele alcançado, mas pelo confronto e questionamento de um saber armazenado pela universidade e testado na realidade enquanto se procura a sua transformação. A universidade não forma um simples profissional, mas um profissional crítico que é co-participante da geração/desenvolvimento do próprio conhecimento que lhe vai ser imprescindível ao exercício da sua profissão. Não transmite técnicas - desenvolve tecnologia. Por outro lado, a universidade não impõe o seu saber, mas testa o conhecimento que gera à medida que abre um diálogo rigoroso e crítico com os beneficiários de sua ação. É uma prática que aponta para novas concepções de sala de aula em que o professor, o aluno regular e o "beneficiário" da ação desenvolvida são co-responsáveis pela geração do conhecimento adequado para a realidade onde se desenvolve.

    Repensar a extensão é repensar a própria universidade. Para isto, torna-se necessário superar a inércia natural de uma tradição que, se por um lado se torna anacrônica face às novas exigências da sociedade, por outro é freqüentemente desvirtuada por interesses mais imediatistas e às vezes questionáveis das políticas estabelecidas para o ensino superior no país. Deve ser superada a fase da formação de técnicos de nível superior exclusivamente voltada para o mercado de trabalho. Deve superar, também, a formação domesticadora das elites para a nação.

    A universidade brasileira apresenta um quadro desolador. Anísio Teixeira, um dos principais estudiosos da educação nacional, em depoimento prestado à Câmara Federal, em 1968, fez uma incisiva crítica ao nosso ensino superior, considerando-o, ao longo de sua história, distanciado dos problemas reais do país, vinculado à formação da elite econômica, desordenando na sua expansão, caracterizado pela tradição de escolas isoladas e profissionais, além de atrelados a uma burocracia estranguladora (Pereira da Silva, 1985). A esta problemática, pode-se acrescentar ainda o espectro de uma privatização crescente, com todas as suas conseqüências acadêmicas e sociais.

    A universidade brasileira é herdeira de um passado colonialista e de um presente neocolonialista que impedem o seu desenvolvimento de forma autônoma e coerente com os problemas do país. Isto explica, em parte, as contradições das políticas de extensão e o conseqüente descaso por uma programação extensionista na mesma intensidade com que se cuida do ensino e até da pesquisa, que nos últimos anos teve um impulso inegável com a dinamização dos cursos de pós-graduação. Mas, como adequar a função da extensão numa universidade que sempre caminhou distante da sociedade e de seu povo? O resgate da história, a contextualização desta problemática e a avaliação das atividades concretas de extensão realizadas em cada unidade universitária pode significar, se não a viabilidade de algo novo, no mínimo o esforço por avançar neste sentido.

  9. A Pesquisa
  10. Na tese original, este item corresponde a um capítulo dividido em blocos: o primeiro traça a metodologia que norteou a pesquisa; o segundo qualifica o universo da pesquisa tendo por base a entrevista com o coordenador da UnATI-UERJ; o terceiro aborda a UTI-UVA, seguindo o mesmo roteiro da entrevista com o coordenador da universidade pública; o quarto bloco apresenta a pesquisa de campo com os alunos e subdivide-se em: perfil do alunado, a inserção dos alunos nas universidades para a terceira idade e a dimensão política dos alunos idosos. O quinto bloco retrata os principais resultados das dinâmicas de grupo que realizamos com os alunos de ambas as unidades.

    Centralizaremos, no presente texto, o trabalho de campo, no que concerne ao perfil do alunado, destacando a dimensão política apreendida pelos alunos dos dois estratos investigados

     

    Sexo dos alunos

    O perfil do alunado revela uma maioria esmagadora de mulheres, fato que ocorre, também, nos espaços de convivência. A Tabela a seguir registra o que verificamos.

     

    Tabela 1

    Sexo dos entrevistados

    Sexo

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Masculino

    15,00

    5,00

    Feminino

    85,00

    95,00

     

    Estado civil dos alunos

    O que parece mais significativo, no que tange ao estado civil dos alunos entrevistados, é o alto índice de sem cônjuge, principalmente na universidade privada, que aponta para pouco mais de 30% de entrevistados casados, enquanto na pública o índice ultrapassa os 37%. Em contrapartida, o índice de viúvos é maior na UERJ do que na UVA. Seria mais adequado dizermos viúvas, pois da totalidade do universo pesquisado só encontramos um viúvo na UERJ.

     

    Tabela 2

    Estado civil dos entrevistados

    Estado civil

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Solteiro

    8,49

    17,95

    Casado

    37,73

    20,51

    Viúvo

    45,28

    30,77

    Divorciado

    4,72

    12,82

    Desquitado

    1,89

    10,26

    Separado

    -

    2,56

    Sem resposta

    1,89

    5,13

     

    Faixa etária dos alunos

    O fator idade apresenta-se bastante diferenciado nos dois blocos pesquisados. A UTI-UVA admite alunos a partir de 50 anos, com um índice bastante expressivo, que corresponde à terça parte dos alunos entrevistados. Na UERJ a idade inicial é de 60 anos, apresentando na faixa 60-69 anos o índice mais representativo, que corresponde a mais da metade dos entrevistados. Essa mesma faixa foi a de maior prevalência na UVA com pouco mais de 40%.

     

    Tabela 3

    Idade dos entrevistados

    Faixa etária

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    50-59 anos

    -

    33,33

    60-69 anos

    56,60

    41,02

    70-79 anos

    34,91

    12,82

    80 anos e mais

    3,77

    5,13

    Sem resposta

    4,72

    7,70

     

     

    Escolaridade dos alunos

    Utilizamos o padrão de escolaridade conhecido pelos idosos, que não corresponde ao atual. Percebe-se uma diferenciação nos níveis mais baixos - primário incompleto, primário completo, secundário incompleto e secundário completo, etapas do atual primeiro grau - somando um pouco mais de 20% na UVA, enquanto na UERJ ultrapassa os 45%. Outro grande diferencial aparece no superior completo, com o índice muito maior para a UVA.

     

    Tabela 4

    Escolaridade dos entrevistados

    Escolaridade

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Primário incompleto

    4,72

    -

    Primário completo

    16,98

    2,56

    Secundário incompleto

    2,83

    -

    Secundário completo

    20,76

    17,95

    Colegial incompleto

    6,60

    2,56

    Colegial completo

    22,64

    23,08

    Superior incompleto

    1,89

    2,56

    Superior completo

    15,09

    33,33

    Sem resposta

    8,49

    15,39

     

    O padrão de escolaridade na universidade pública se aproxima do quadro escolar das camadas médias baixas da população idosa, enquanto na universidade privada se aproxima mais dos padrões das camadas médias altas, o que o padrão de renda vai confirmar.

      

    Renda familiar dos alunos

    Essa variável denota uma diferença relevante entre os dois grupos entrevistados. Enquanto na UERJ as faixas de renda até 6 salários mínimos somam mais de 35%, na UVA não alcançam 8%. Nas faixas intermediárias situadas entre 6 e 10 salários mínimos há uma ligeira predominância para a UERJ, com quase 20% contra pouco mais de 10% na UVA. Nas faixas mais altas de renda, a partir de 10 salários mínimos e mais, há uma forte incidência na universidade privada, totalizando mais de 55%, sendo quase 50% nas faixas acima de 15 salários mínimos. Na UERJ foram registrados quase 25%. O alto índice de entrevistados que não responderam ao quesito pode ter mascarado a situação de renda e demonstra, ao nosso ver, uma necessidade de garantir privacidade, mesmo em se tratando de questionários que preservavam o anonimato.

      

    Tabela 5

    Renda familiar dos entrevistados - em salários mínimos (SM)

    Renda familiar

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Até 2 SM

    15,09

    -

    Entre 2 e 4 SM

    11,32

    2,56

    Entre 4 e 6 SM

    9,43

    2,56

    Entre 6 e 8 SM

    12,27

    2,56

    Entre 8 e 10 SM

    7,55

    7,69

    Entre 10 e 15 SM

    11,32

    7,69

    Mais de 15 SM

    13,21

    48,72

    Sem resposta

    19,81

    28,21

     

     

    Local de moradia dos alunos idosos

    A UnATI-UERJ fica localizada no bairro do Maracanã e a UTI-UVA no bairro da Tijuca, ambas na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, o que explica a maior incidência de alunos dessa área. Na zona suburbana ocorreu uma incidência significativa na UERJ com um terço dos entrevistados, enquanto na UVA o índice atingiu pouco menos que 13%. Outra diferença relevante se refere à zona sul, considerada a de melhor renda do Município do Rio de Janeiro, que apresentou uma incidência baixa na UERJ, inferior a 4%, enquanto na UVA o índice atinge quase 18%.

     

    Tabela 6

    Local de moradia dos entrevistados

    Moradia

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Zona Norte

    43,40

    48,72

    Subúrbios, Central

    27,36

    7,69

    Subúrbios, Leopoldina

    5,66

    5,13

    Zona Oeste

    4,72

    2,56

    Zona Sul

    3,77

    17,95

    Zona Centro

    3,77

    -

    Outros municípios

    1,89

    2,56

    Sem resposta

    9,43

    15,39

      

    Com quem moram os idosos

    Quase a metade dos entrevistados na UVA e pouco mais de um quarto dos alunos da UERJ vivem sós, o que tanto pode significar autonomia quanto única (e última) alternativa de sobrevivência. Convivendo somente com o cônjuge, encontramos pouco mais de 22% na UERJ e 10% da UVA, e com o cônjuge filhos e/ou netos cerca de 7% da UERJ e 5% da UVA.

     

    Tabela 7

    Com quem moram os entrevistados

    Com quem mora

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    26,42

    48,72

    Com cônjuge

    22,64

    10,26

    Cônjuge, filhos/netos

    7,55

    5,13

    Filhos e/ou netos

    32,07

    25,64

    Demais parentes

    1,89

    2,56

    Instituições

    1,89

    -

    Amigos

    0,94

    -

    Sem resposta

    6,60

    7,69

     

     

    Ocupação dos alunos

    Definimos ocupação como sendo a atividade principal que os alunos investigados exerciam. O item foi deixado em aberto para que os próprios alunos escolhessem livremente sua opção de ocupação. A Tabela e o gráfico a seguir mostram os quatro principais blocos de ocupação com que os alunos se identificam. As diferenças entre os dois segmentos analisados são muito pouco relevantes. Consideramos interessante que um grupo, embora minoritário, se classificasse como primordialmente estudante, valorizando sobremaneira essa categoria, embora estudante seja a totalidade dos participantes da pesquisa.

     

    Tabela 8

    Ocupação dos entrevistados

    Ocupação

    UnATI-UERJ

    UTI-UVA

    Aposentado

    47,17

    46,15

    Do lar

    28,30

    25,64

    Estudante

    9,43

    10,26

    Trabalhando

    13,21

    12,82

    Sem resposta

    1,89

    5,13

     

     

    Razões da busca da universidade para a terceira idade

    Sociabilidade: agrupamos as respostas relativas a integração, participação, ocupação do tempo livre; lazer, distração, entretenimento; buscar atividades culturais; por indicação de colegas; crescer como pessoa; sentia-se vazio com aposentadoria; fugir das obrigações familiares e fazer algo gratificante. A UnATI-UERJ somou 57,73% nesse eixo, enquanto a UTI-UVA atingiu 85,63%. A sociabilidade entre os alunos foi o índice mais expressivo das respostas, o que vem confirmar as universidades como espaço de convivência, de integração e de participação social desta faixa etária, até mais do que adquirir conhecimentos. Este dado ficou muito mais evidenciado na universidade privada, onde as turmas acompanham os programas. Na pública, onde a escolha dos cursos é livre e cada qual escolhe seus cursos, a sociabilidade foi relevante, mas com incidência menor do que na UVA.

    Educação: agregamos a esse eixo respostas como adquirir e/ou atualizar conhecimentos; buscar novos horizontes, acompanhar a vida, curiosidade, preparar-se para envelhecer e sempre sonhou em cursar universidade. A UnATI-UERJ apresentou 48,11% de respostas nesse eixo, enquanto a UTI-UVA apresentou 38,46%. Bastante expressivo, o índice total da educação não foi o mais lembrado, o que seria de se esperar de uma unidade de ensino.

    No eixo afetividade, contemplamos as respostas: procurar novas amizades; fugir da solidão/depressão; busca de companhia e professores tratam com amor. A UERJ somou 44,34% e a UVA 35,89%, índices bastante expressivos e que muito se aproximam do quesito educação. É importante lembrar que a proporção entre as duas unidades pesquisadas acompanhou os resultados do eixo anterior, mesmo com números um pouco inferiores.

    Saúde: a história da UnATI-UERJ sempre esteve ligada à questão da saúde. Talvez por isso e por contar com docentes médicos e a própria UERJ oferecer serviços na área da saúde, não só no Hospital Pedro Ernesto mas também no PAM São Francisco Xavier e na própria UnATI, somente alunos desta Unidade entenderam ter buscado a universidade em busca de saúde. 24,52% enquadraram suas respostas neste indicador. Consideramos pertinentes a esse item as respostas: melhorar a saúde; por indicação médica, para exercitar o corpo e a mente; para relaxar; para buscar atividade sadia e para se sentir viva.

    Política: mesmo pouco significativa, a busca por um espaço político ficou evidenciado nas respostas: para conhecer os direitos sociais na UERJ, com 0,94% e para participar de movimentos de idosos com 2,56% da UVA. O descrédito demonstrado pelos alunos em relação à questão política será apontado mais adiante.

     

     

    Mudanças ocorridas com a inserção na universidade

    A Tabela 9 mostra uma distribuição muito parecida nas duas unidades. Há um equilíbrio entre os dois estratos em relação às mudanças que percebem ou não. As mudanças verificadas com mais intensidade referem-se àquelas de caráter pessoal. O resgate da auto-estima, a descoberta de novos espaços e de novas possibilidades de aprender, de conviver, de diminuir a solidão foram recorrentes em diversas falas. O fato de estarem participando de uma experiência universitária parece, aos alunos, um dos pontos de destaque em seus cotidianos. Outra marca recorrente em diversas falas refere-se ao orgulho de se perceberem capazes de mudar, de ultrapassar desafios. E nessa empreitada, os colegas, os vizinhos, os amigos são lembrados como uma segunda opção.

     

    Tabela 9

    Mudanças indicadas pelos entrevistados a partir da inserção na universidade (respostas múltiplas)

    Mudanças

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Consigo próprio

    41,51

    64,10

    Com outras pessoas

    19,81

    17,95

    Com família

    14,15

    15,38

    Mudança geral

    13,21

    12,82

    Com outras gerações

    6,60

    5,13

    Poucas Mudanças

    3,77

    2,56

    Sem mudanças

    4,72

    2,56

    Sem resposta

    12,26

    7,70

     

     

    Tipo de participação na comunidade

    A Tabela 10 aponta para um padrão de participação diferenciado nas duas universidades em termos de ausência de participação, com índices mais expressivos na universidade privada do que na pública. Outra diferença importante refere-se à diversidade nas opções de participação, muito maior na UnATI-UERJ do que na UTI-UVA, talvez pelo número maior de entrevistados na primeira.

    A relevância das atividades religiosas e filantrópicas fica evidenciada em patamares muito próximos nas duas unidades. A participação em atividades de cultura e lazer também denota outra tendência que os programas de universidades destinadas aos idosos procuram contemplar.

     

    Tabela 10

    Tipo de participação na comunidade indicada pelos entrevistados (respostas múltiplas)

    Tipo de participação

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Atividades religiosas

    33,13

    23,07

    Atividades filantrópicas

    23,58

    23,07

    Atividades de lazer

    14,15

    17,95

    Atividades culturais

    11,32

    7,69

    Outros grupos

    9,43

    -

    Apresenta eventos na comunidade

    8,49

    -

    Outras

    12,26

    7,69

    Nenhuma participação

    20,75

    35,90

    Sem resposta

    14,15

    10,25

     

    Para você, o que é política?

    Agrupamos como concepções técnicas aquelas em que há um tentativa de explicar a política como a ciência do poder ou como ação e participação na esfera da vida social. É interessante registrar que a universidade particular, com uma população de maior escolaridade, apresentou índice expressivo de mais de 40% nesse quesito, o de maior incidência dentre todos. Quanto à UERJ, apresentou os mesmos índices de concepções técnicas e negativas, com mais de 30% de respostas em cada item.

    Entendemos como concepções negativas aquelas em que são emitidas opiniões que desqualificam os políticos e a política. As opiniões refletem o estado de desapontamento, de decepção e de indignação. Os alunos da UTI-UVA revelaram-se menos indignados, pelo menos no presente item.

    Tabela 11

    Concepções sobre política entre os entrevistados

    Concepções sobre política

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Técnicas

    32,08

    41,02

    Negativas

    32,08

    28,20

    Não souberam responder

    4,71

    -

    Não gostam/ não entendem

    9,43

    7,70

    Sem resposta

    21,70

    23,08

     

    Interesse por política

    A Tabela 12 mostra com clareza o desinteresse dos alunos idosos em relação à política. Revelam, também, um padrão de interesse muito próximo entre as duas unidades investigadas. Segundo depoimento do Professor Doutor Jairo Nicolau, a maioria da população brasileira demonstra pouco interesse pela política. Em termos etários, os idosos, ao menos nos países de Primeiro Mundo, demonstram um interesse maior pela política, resultado da disponibilidade de tempo e da experiência acumulada no decorrer da vida. No Brasil, os estudos relacionados às faixas etárias e interesse político ainda são insuficientes para se chegar a uma conclusão confiável. Na pesquisa de opinião Jornal do Brasil/Universidade Federal Fluminense, realizada em março de 1998 sobre intenções de voto para eleições de Presidente da República e Governador do Estado do Rio de Janeiro, o voto dos mais velhos (60 anos e mais) pouco difere em relação aos demais, no que concerne ao voto nulo, em branco e evasão.

     

    Tabela 12

    Interesse por política demonstrado pelos entrevistados

    Interesse por política

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Sim

    28,30

    33,33

    Não

    68,87

    58,97

    Sem resposta

    2,83

    7,69

     

    Votou nas últimas eleições?

    Cabe registrar que todos os que deixaram de votar, tanto na UnATI-UERJ quanto na UTI-UVA, têm mais de 70 anos e estão, portanto, desobrigados do exercício do voto.

    Se levarmos em conta que 38,68% dos alunos da UnATI-UERJ declararam idade com 70 anos e mais e só 6,6% deixaram de votar, podemos concluir que mais de 32%, quase um terço da população investigada da UERJ, exercem por livre e espontânea vontade o voto e entendem necessária sua participação na vida política.

    Na UTI-UVA o panorama é diferente: dos 17,95% de alunos com 70 anos e mais, 10,26%, portanto a maioria, opta por não votar, o que pode ser indicador de descrédito com a política e com os políticos brasileiros.

     

    Tabela 13

    Participação dos entrevistados nas últimas eleições

    Votou nas últimas eleições?

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Sim

    90,57

    87,18

    Não

    6,60

    10,26

    Sem resposta

    2,83

    2,56

     

    Lembra em quem votou nas últimas eleições?

    A Tabela 14 confirma o que já esperávamos: os cargos executivos são mais lembrados do que os legislativos. No estudo comparativo entre as duas universidades fica clara a lembrança mais nítida dos alunos da UERJ em quase todos os casos, exceto para presidente, talvez porque a pesquisa tenha sido feita logo após as eleições municipais, o que não ocorreu na UTI-UVA, onde pouco mais da metade da amostra foi sondada antes do primeiro turno das eleições.

     

    Tabela 14

    Voto nas últimas eleições por parte dos entrevistados

    Lembra em quem votou?

    UnATI-UERJ-Sim %

    UTI-UVA -Sim %

    Presidente

    93,57

    97,05

    Governador

    90,62

    82,35

    Prefeito

    92,71

    82,35

    Senador

    67,71

    52,95

    Deputado federal

    68,75

    50,00

    Deputado estadual

    62,50

    50,00

    Vereador

    63,54

    38,24

     

    Acompanha a vida dos políticos em que votou?

    Os dados revelam um padrão de acompanhamento à vida dos políticos de maior relevância na universidade pública do que o da universidade particular, confirmando, assim, a tendência de um envolvimento mais significativo dos alunos da UnATI-UERJ no trato das questões políticas.

    Se cruzarmos as informações com a variável sexo, poderemos verificar que os homens são, proporcionalmente, mais vigilantes no acompanhamento dos rumos políticos do que as mulheres O contingente masculino, mesmo minoritário, tem maior representatividade na UERJ (15%, aproximadamente) do que na UVA (5% do total), o que pode ter refletido no resultado final desse item.

     

    Tabela 15

    Acompanhamento da vida dos políticos por parte dos entrevistados

    Acompanha?

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Sim

    52,09

    33,33

    Não

    39,58

    51,29

    Sem resposta

    8,33

    15,38

     

    Avaliação que fazem dos políticos

    No estudo comparativo, podemos detectar um grau de insatisfação maior na universidade particular do que na pública, o que pode ser credenciado, como hipótese, ao maior nível de escolaridade dos alunos da primeira, o que pode favorecer o exercício de crítica. Outro fator que pode ter influenciado é o nível de renda maior dentre os alunos da UTI-UVA, a maioria pertencente às camadas médias, as mais afetadas na vigência do Governo Fernando Henrique Cardoso.

     

     

     

    Tabela 16

    Avaliação que os entrevistados fazem dos políticos

    Resposta

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Favorável

    5,66

    7,69

    Relativa

    6,6

    7,69

    Desfavorável

    55,66

    61,54

    Não sabem

    7,55

    10,26

    Sem resposta

    24,53

    12,82

     

    A importância da política para a vida dos idosos

    Essa questão foi mal interpretada por muitos dos alunos envolvidos na pesquisa. A pergunta formulada foi: A política é importante para os idosos? Muitos interpretaram: Os idosos são importantes para os políticos? Esse equívoco marcou diversos depoimentos e, em nossa opinião, pode ser interpretado, consciente ou inconscientemente, como o distanciamento dos alunos enquanto sujeitos da ação política, dando voz aos políticos enquanto agentes privilegiados e protagonistas da arena política.

      

    Tabela 17

    A importância da política na vida dos idosos, segundo os entrevistados

    A política é importante?

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Sim

    42,45

    51,28

    Não

    28,30

    20,51

    Não sabem

    4,72

    -

    Sem resposta

    24,53

    28,21

     

    Importância da universidade para a cidadania dos idosos

    A Tabela 18 mostra que 90% dos alunos da universidade pública e 89% da particular reconhecem a universidade como locus para debates e para o exercício da vida política dos idosos. Mesmo alegando o descrédito com a política brasileira, se percebem como potenciais protagonistas do jogo político e avaliam ser a universidade um espaço privilegiado para desencadear esse processo.

      

    Tabela 18

    Importância da universidade para a cidadania dos idosos, segundo os entrevistados

    A universidade é importante para a cidadania dos idosos?

    UnATI-UERJ %

    UTI-UVA %

    Sim

    90,0

    89,0

    Relativamente

    1,0

    -

    Sem resposta

    9,0

    11,0

     

     

  11. Considerações finais

Procuramos demonstrar, através da bibliografia percorrida, dos depoimentos dos alunos idosos nos formulários, nas entrevistas e nas dinâmicas de grupo, da nossa observação sistemática e dos dados demográficos disponíveis, que o envelhecimento da população se revela com uma relevância nunca verificada na história da humanidade. Esse fenômeno da ampliação do tempo de vida se verificou de forma mais evidente nos países desenvolvidos da Europa e da América do Norte, onde as condições objetivas de vida oferecem melhores serviços de saúde, saneamento básico, educação, habitação, trabalho, segurança, de atividades culturais e de lazer, dentre outros. Não por acaso, nesses países foi implantado o chamado Estado de Bem-Estar Social, onde a população, como um todo, usufruía dos direitos de cidadania, principalmente dos direitos sociais.

Buscamos mostrar que o envelhecimento se alastra como relevante e cada vez com mais intensidade nos países em desenvolvimento, principalmente no Brasil, país, segundo dados oficiais da ONU, de maior crescimento da população idosa no período de 1950 a 2025, quando terá crescido mais de 15 vezes. As perspectivas de maior participação das pessoas com 60 anos e mais na estrutura etária da população brasileira apresentam, por um lado, um fato animador, pois a ciência busca debelar doenças e oferecer condições para uma vida maior, em tempo, e melhor, em qualidade. Mas o que verificamos, por outro lado, é um desmonte das políticas sociais, um investimento cada vez menor nos chamados direitos sociais, mesmo nos países onde o estado do Bem-Estar se instaurou. Sob a égide do neoliberalismo, que delega ao mercado a regulamentação da vida econômica, o social fica em plano cada vez mais subordinado aos interesses do capital. As crises do capitalismo contaminam, ao mesmo tempo, países desenvolvidos e, mais ainda, os não desenvolvidos. A convergência desses fatores traz à tona uma crise sem precedentes vivida nessa virada de século e de milênio, onde ficam nítidos os perdedores, quase todos os países, e os vencedores parecem se esconder numa névoa de dúvidas e de especulações.

E a crise que vivemos é multifacetada. Abarca todas as esferas da vida social, todos os países, todas as faixas etárias, enfim, perpassa todas as classes sociais, não da mesma forma e nem com a mesma intensidade. No caso do Brasil, com uma dívida externa e interna enormes e crescentes, sua dependência aos sistemas econômicos internacionais colide com os interesses e a própria soberania nacional.

Não é novidade para ninguém afirmar que, numa sociedade em crise, os segmentos mais vulneráveis são as crianças, os velhos e os deficientes físicos. Como já nos referimos, com a fragilidade, quase falência, dos direitos sociais, com a crise no emprego e com a despreocupação com a seguridade social, relegada a plano secundário, os idosos, no caso do Brasil, quase todos aposentados ou pensionistas, têm a qualidade de vida cada vez mais deteriorada, principalmente se precisarem de remédios, cada vez mais caros e de qualidade duvidosa.

A descrença quanto aos rumos políticos do país ficou sobejamente demonstrada na pesquisa de campo que realizamos com os alunos idosos. Por outro lado, há uma compreensão restrita da dimensão política, entendida como política partidária, esvaziando assim o sentido mais amplo.

Entendida em sua amplitude, a dimensão política, mesmo negada no discurso dos alunos idosos, aparece em suas falas, quando reivindicam melhores remunerações, uma nova chance no mercado de trabalho, serviços de transporte mais adequados, melhoria nos serviços de saúde da rede pública e privada, planos de saúde compatíveis com suas parcas rendas, respeito e convivência inter e intrageracional e educação permanente, principalmente nas universidades públicas.

O caráter gratuito da universidade pública garante, sem dúvidas, um acesso mais democrático do que o da particular, mesmo considerando-se que o valor cobrado por essa corresponda a um terço do salário mínimo, o que é razoável para os de renda mais elevadas, mas impensável para a maioria dos idosos que recebem baixa remuneração. Mesmo assim, em ambas as unidades pesquisadas, a incidência de alunos com renda inferior a 4 salários mínimos é muito baixa. A maior incidência de renda se situa entre as faixas médias (6 a 10 salários) e altas (mais de 10 salários), perfazendo cerca de 44% da unidade pública e pouco mais de 66% na particular. Cabe registrar que quase 20% dos alunos da universidade pública e mais de 28% da particular deixaram de informar suas rendas. Podemos deduzir, portanto, que as universidades têm atraído para os seus programas destinados aos idosos população das camadas médias e altas, talvez pelo distanciamento que essa instituição tem em relação aos mais pobres, imagem que intimida aqueles que certamente mais precisam de seus serviços. Entendemos que as universidades devam abrir seus espaços de ensino, pesquisa e, principalmente, de extensão para a sociedade, criando programas e atividades que melhorem a qualidade de vida da população e desmistificando a imagem de torre de marfim, que distancia a população do que deveria ser uma verdadeira universidade, democrática, espaço não exclusivo, mas privilegiado de lição de cidadania para todas as gerações e classes sociais.

Nas duas universidades que pesquisamos, sentimos falta da população de baixa renda e residente na periferia, talvez a que mais necessita dos serviços das universidades. Para que se constituíssem espaços verdadeiramente democráticos, as universidades deveriam ampliar seus serviços, cursos e assistência aos menos favorecidos, dando-lhes oportunidades de acesso e ampliando espaços de sociabilidade tão importantes para os idosos. A formação de agentes multiplicadores em comunidades carentes seria uma proposta viável, como a que se desenvolve na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Exercer cidadania é dar condições aos idosos de serem sujeitos de sua história pessoal e de exercerem seu direitos civis, políticos e sociais, também no plano coletivo, de participarem da vida social em todas as suas instituições e movimentos sociais. É importante que se sintam motivados a exercer, de forma mais próxima possível, a cidadania efetiva, que dê qualidade à vida e que lhes assegure viver com dignidade. E todos os espaços públicos e privados são de exercício da cidadania dos idosos; espaços que não se mostram prontos, mas possíveis de serem construídos solidariamente, por jovens e velhos, homens e mulheres, enfim, por toda a sociedade. E as universidades, como já procuramos demonstrar, exercem papel fundamental nesse processo de construção.

Constatamos que há necessidade de ampliar as pesquisas sobre envelhecimento, educação e cidadania, pois serão temas de grande importância, em extensão e em profundidade para o próximo milênio. As novas tecnologias, ao mesmo tempo que trazem benefícios às pesquisas científicas, distanciam o contingente idoso do acesso a elas. É mais um desafio que os idosos têm a enfrentar: acompanhar o avanço tecnológico incorporado em seus cotidianos através de cartões digitais para receber seus benefícios, cartões eletrônicos para saldos, verificar preços nos supermercados em terminais eletrônicos, dentre outros. E o acesso ao mundo virtual pela Internet, ainda restrito às camadas de renda alta e média alta, tende a se ampliar, tornando-se mais uma questão com que os idosos terão que se confrontar. Entendemos ser função das universidades a educação permanente de toda a população, dando um especial atendimento aos idosos, que têm ainda pouca familiaridade com a Informática.

Gostaríamos de nos remeter à Simone Beauvoir, que nos advertiu ser impossível uma sociedade justa para os velhos numa sociedade permeada por injustiças sociais, como é a nossa sociedade, agora, sob o neoliberalismo e sob o impacto das crises econômicas no mundo globalizado. Claro que uma nova forma de sociedade é um projeto distante, mas, quem sabe, possível.

Marcuse (1970) já nos dizia em suas Cinco Conferências: "Hoje temos a capacidade de transformar o mundo em um inferno e estamos em caminho de fazê-lo. Mas também temos a capacidade de fazer exatamente o contrário". É nessa segunda possibilidade, que, esperançosamente, apostamos todas as fichas.

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University of the third age: a citizenship lesson 

Abstract

Might the Universities of the Third Age be considered places to learn and teach citizenship lessons? This is the main issue that led us to write the present article. The field research was carried out at the Open University of Third Age from Universidade do Estado do Rio de Janeiro and at The University of Third Age from Universidade Veiga de Almeida. The elderly were submitted to questionnaires and had the authenticity of their speech as much guaranteed as possible. They had the chance to express their hope, disenchantment, criticism or support to the university programmes. We aimed at showing the variety and richness of their statements as they allowed us to know their wishes, disappointments and expectations. It is suggested that through extension programs and activities, along with research and teaching, the university may constitute a non-exclusive and privileged means for the debate and the recovering of the elderly's citizenship which has been so much affected by the impact of globalization and tends to exclude the most vulnerable elderly from the process of production.

Key-words: aged, education continuing, demographic aging