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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

versão impressa ISSN 1809-9823

Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. v.9 n.1 Rio de Janeiro  2006

 

Queixa de memória e disfunção objetiva de memória em idosos que ingressam na Oficina da Memória® na UnATI/UERJ

Memory complaints and objective memory dysfunction among elderly people who come to the Oficina da Memória® (Memory Workshop) of UnATI/UERJ

 

Tânia Cristina Guerreiro1

Renato Veras2

Luciana Branco da Motta3

Ana Sardas Veronesi4

Sérgio Schmidt5

 

Resumo 

Os transtornos cognitivos e as demências levam à perda da qualidade de vida e da autonomia e ampliam o risco de morte na terceira idade. Com o objetivo de estudar características dos idosos que buscam treinamento de memória na Oficina da Memória, na UnATI/UERJ, e identificar um possível fator preditor de prejuízo cognitivo, este estudo se propôs a investigar se a percepção subjetiva de perda de memóriaqueixa de memória – desses idosos possui poder de predição de disfunção objetiva de memória. Participaram do estudo 82 alunos. A queixa de memória foi investigada por meio dos questionários Short-Care e Mac-Q, e a presença de disfunção objetiva de memória foi avaliada por intermédio do Rivermead Behavioural Memory Test e do subteste Práxis/Memória visual do Teste Computadorizado de Memória (TCM). Foi também aplicada a Escala de Depressão Geriátrica (EDG). A prevalência de queixas foi de 97,6% nesse grupo. O Short-Care se correlacionou significativamente com o Rivermead e o TCM. Entretanto, as análises de regressão hierárquica, depois de incluída a variável escolaridade, demonstraram que o Short-Care não prediz o desempenho no Rivermead e no TCM. Desse modo, as queixas de memória dos idosos que ingressam na Oficina da Memória não predizem o desempenho objetivo quando o impacto da escolaridade é controlado.

 

Palavras-chave: transtornos cognitivos; demência; memória; capacitação;   qualidade de vida; fatores de risco; valor preditivo dos testes; questionários; idoso.

 

Abstract 

Cognitive disorders and dementia lead to loss of quality of life and autonomy, and increase the risk of death in the third age. The objective of this study was to assess the characteristics of the elderly people who seek memory training at the Oficina da Memória® (Memory Workshop) of UnATI/UERJ, and identify possible predictive factors for cognitive impairment. Its proposition was thus to investigate whether subjective perceptions of memory loss (memory complaints) among these elderly people have the power to predict objective memory dysfunction. Eighty-two students participated in this study. Memory complaints were investigated by means of the Short-Care and Mac-Q questionnaires. The Rivermead Behavioral Memory Test and the visual memory/praxis subtests of a computerized memory test (TCM) were used to evaluate the presence of objective memory dysfunction. The Geriatric Depression Scale was also applied. The prevalence of memory complaints was 97.6% in this group. The Short-Care scale correlated significantly with Rivermead and TCM. However, after including the variable of schooling, hierarchical regression analysis showed that the Short-Care scale did not predict the performance in Rivermead and TCM. Thus, memory complaints among the elderly people who come to the Oficina da Memória did not predict the objective performance when the impact of schooling was controlled for.

 

Key words:  cognition disorders; dementia; memory; training; quality of life; risk factors; predictive value of tests; questionnaires; aged

 

 

INTRODUÇÃO 

Queixas de problemas com a memória estão presentes na população em geral, mas sua prevalência tende a aumentar com o avançar da idade (Commissaris; Ponds; Jolles, 1998). Diversas pesquisas têm investigado o significado das queixas de memória dos idosos e, sobretudo, buscado identificar a existência ou não de associação entre a percepção subjetiva de perda de memória, ou queixa de memória, e a disfunção objetiva avaliada nos testes (Bolla, et al., 1991; Riedel-Heller et al., 2005). 

Grande parte dos idosos que relatam falhas de memória se preocupa fortemente com o risco de esse problema evoluir para demência. Isso é observado no cotidiano de profissionais de saúde que lidam com esse grupo. Portanto, acolher as queixas e identificar seu significado clínico é condição primordial para se definir o encaminhamento de cada caso (Xavier et al., 2001). 

Inúmeros estudos vêm demonstrando que a percepção subjetiva de perda de memória está mais associada à depressão (Bolla et al., 1991; Grut, 1993), a traços da personalidade (Hanninen et al., 1994) e à ocorrência de demência em parente ou amigo próximo (Commissaris; Ponds; Jolles, 1998), do que ao desempenho objetivo nos testes neuropsicológicos. Todavia, em geral é por intermédio dos insucessos mnésicos que as pessoas identificam algo de errado em sua capacidade cognitiva. 

Além disso, a avaliação subjetiva de perda de memória, feita pelo próprio sujeito ou por informante confiável, tem sido sistematicamente utilizada como um dos critérios para identificação de prejuízos cognitivos em idosos (Crook; Feher; Larrabee, 1992; Xavier et al., 1999). Em 1999, o National Institute on Aging (Petersen et al., 1999) definiu uma condição de prejuízo cognitivo que seria intermediária entre o desempenho esperado como normal para o idoso e aquele observado nas fases iniciais das demências, o transtorno cognitivo leve – TCL (mild cognitive impairment MCI). A identificação desses casos vem demonstrando resultados promissores para a compreensão das situações de perdas cognitivas em idosos.  

Os critérios sugeridos por Petersen e colaboradores (2001) para diagnóstico dos transtornos cognitivos leves foram: 1) queixa de memória, preferivelmente confirmada por um informante; 2) déficit de memória indicado por testes, com desempenho de aproximadamente 1,5 desvio padrão abaixo da média de controles normais da mesma idade; 3) funções cognitivas gerais normais; 4) atividades funcionais – sócio-ocupacionais – intactas; e 5) ausência de demência.

Diversos estudos mostram que portadores de TCL apresentam maior risco de desenvolver quadros demenciais (Meyer et al., 2002; Sarazin; Dubois, 2002; Lopez; Dekoski, 2003). Cerca de 10 a 15% desses idosos tendem a apresentar a doença de Alzheimer (DA) em um ano, o que ressalta a importância da identificação desses casos. Assim, abre-se uma perspectiva para o desenvolvimento de intervenções que previnam ou retardem o surgimento das demências.  

Por outro lado, alguns estudos destacam a falta de consciência acerca da perda de memória por parte dos idosos que apresentam a doença de Alzheimer e uma grande variação na freqüência de queixas entre os pacientes em geral (Carr et al., 2000). Nesses estudos não foram observadas diferenças significativas entre o nível de queixas dos que apresentavam DA e daqueles que apresentavam prejuízos de memória associados ao envelhecimento – age associated memory impairment – (Feher et al., 1994), assim como não foram observadas diferenças significativas entre o nível de queixas entre os participantes com DA e os participantes com TCL (Farias. Mungas; Jagust, 2005). Desse modo, questiona-se o valor das queixas de memória como indicadores diagnósticos (Riedel-Heller et al., 2000; Jungwirth et al., 2004). 

Jonker, Geerlings e Schmand (2000) ressaltam o papel das queixas de memória como preditores de demência em idosos que apresentam transtornos cognitivos quando esses são acompanhados por dois anos, no mínimo. Esses pesquisadores destacam ainda a possibilidade de essas queixas serem fator preditivo para demência em indivíduos com alta escolaridade, mesmo quando não identificados prejuízos cognitivos em avaliações breves. 

Também há estudos que apontam a queixa como preditora de declínio cognitivo quando associada à presença do alelo E4 do polimorfismo da apolipoproteína E, mesmo em presença de depressão (Stewart et al., 2001; Dik et al., 2001).

Desse modo, embora seja questionável o valor das queixas de memória quando consideradas isoladamente, essas não deveriam ser abordadas como um fenômeno próprio da idade, simplesmente. Transtornos do humor, ansiedade, isolamento social e outras importantes questões podem estar presentes na vida do idoso, comprometendo a saúde, favorecendo o declínio cognitivo e interferindo na qualidade de vida.  

Além disso, um grande número de pesquisas (Jonker, Geerlings; Schmand, 2000; Stewart et al., 2001; Dik et al., 2001) vem sugerindo que a percepção subjetiva de perda de memória, quando associada a outros critérios, pode contribuir para a identificação de sujeitos que apresentam prejuízo cognitivo e risco elevado para futura demenciação. Portanto, é recomendável o aprofundamento das investigações nesse campo.  

Logo, faz-se necessário um olhar mais atento às queixas do grande número de idosos que procuram cursos para treinamento da memória e demandam por informações, treinamentos e cuidados especializados.

 

OBJETIVOS 

O presente estudo buscou investigar a prevalência de queixa de memória entre os alunos que ingressam na Oficina da Memória®, na Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UnATI/UERJ) e, principalmente, avaliar o quanto a percepção subjetiva de perda de memória – queixa de memória – desses idosos possui poder de predição de disfunção objetiva de memória. Este estudo também visou a identificar a presença de associações entre a queixa de memória e a idade dos participantes, sua escolaridade e a presença de depressão.

 

MÉTODOS E PARTICIPANTES 

O enfoque metodológico utilizado foi de uma pesquisa do tipo quantitativo, com delineamento transversal. A amostra foi composta por 82 alunos da Universidade Aberta da Terceira Idade que se interessaram em participar de um programa de treinamento de memória – curso Oficina da Memória – e assinaram o termo de consentimento informado. Este estudo obteve aprovação do Comitê de Ética da Universidade Aberta da Terceira Idade da UERJ.  

A divulgação do projeto de pesquisa foi feita durante palestra – Workshop da Oficina da Memória – e o convite para o estudo foi direcionado a alunos da UnATI que não haviam participado anteriormente do curso. Foram considerados critérios de exclusão: o analfabetismo e a existência de doença psiquiátrica e síndrome demencial em estágio intermediário ou avançado. Dos 86 sujeitos que aceitaram participar do estudo, um foi excluído por manifestar síndrome demencial em estágio intermediário e três por apresentarem transtornos físicos agudos que demandavam outras prioridades de tratamento.  

A idade dos participantes variou de 61 a 84 anos e a idade média foi de 70,55 anos (DP=5,38). A proporção de mulheres (90,2%) foi maior do que a de homens (9,8%), o que reflete a tendência tanto de maior sobrevida de mulheres como também de maior participação delas quando comparadas ao gênero masculino. A escolaridade média foi de 9,39 anos (DP=3,67), variando de 1 a 17 anos de estudo.

 

INSTRUMENTOS 

Investigou-se a presença de disfunção subjetiva de memória pela aplicação de dois questionários. O Questionário de Queixa Subjetiva de Memória Short-Care (Tobiansky et al., 1995) consiste de nove perguntas – por exemplo: “O (A) Sr. (a) tem dificuldade de memória?” – com três possibilidades de respostas: “Não, Um pouco, Muito”. Respostas “um pouco” e “muito” foram consideradas como afirmativas para queixas neste estudo. Para as análises de correlação e de regressão hierárquica, foram utilizados os valores brutos da pontuação. Para avaliar a prevalência de queixa na população, foi utilizada a operacionalização sugerida por Tobiansky et al. (1995): presença de queixa de memória é considerada quando a pontuação é ≥ três questões afirmativas. A Tabela 1 apresenta a consistência interna para cada um dos instrumentos utilizados neste estudo. 

O Questionário de Queixas de Memória – MAC-Q (Crook, Feher; Larrabee, 1992) é constituído por seis perguntas que visam a avaliar queixas de memória relacionadas a cinco situações do cotidiano – por exemplo: lembrar números de telefones ou códigos que você usa diária ou semanalmente –, com uma pergunta direcionada ao desempenho mnêmico global. É solicitado que seja feita uma comparação entre o desempenho mnêmico atual e aquele vivenciado aos 18 anos de idade. As respostas variam de “muito pior agora” a “muito melhor agora”, com cinco diferentes possibilidades de respostas. Uma pontuação igual ou superior a 25 pontos é considerada como indicativa de disfunção subjetiva de memória. 

As avaliações neuropsicológicas ocorreram em parceria com o Laboratório de Neurologia do Comportamento da UERJ (LAN/UERJ). Nas avaliações do LAN/UERJ são utilizados não somente instrumentos computadorizados desenvolvidos em nosso meio (Schmidt; Manhaes, 2001; Schmidt; Capparelli-Daquer, 2000) como também testes tradicionais, traduzidos e normatizados – por exemplo: Schmidt e Oliveira (1999). 

A presença de disfunção objetiva de memória foi avaliada com o teste Rivermead Behavioural Memory Test – RBMT (Wilson, Cockburn & Baddeley, 1985),  versão traduzida e adaptada oficialmente para o Brasil (Schmidt; Oliveira, 1999), e com o subteste Práxis/Memória visual, do Teste Computadorizado de Memória – TCM (Schmidt; Manhães, 2002). Em ambos os testes, quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho de memória. 

O RBMT é um teste que possui caráter ecológico, isto é, avalia habilidades mnêmicas simulando situações do cotidiano. Contém 12 subtestes, cujos resultados brutos são convertidos em escore de perfil padronizado, (0) anormal, (1) limítrofe ou (2) normal, com o máximo possível de 24 pontos. O ponto de corte adotado foi ≤ 16, sugerindo prejuízo da memória. 

O Teste Computadorizado de Memória apresenta seis subtestes que se propõem a avaliar diferentes habilidades de memória. Neste trabalho, utilizamos o subteste Práxis/Memória visual, que consiste na apresentação de uma figura, durante cinco segundos, seguida de solicitação para a reprodução da imagem. São nove figuras que podem ser pontuadas de 0 a 3 – quanto maior a pontuação, melhor a capacidade de reproduzir as figuras –, com um escore máximo de 27 pontos. Apenas esse subteste foi incluído neste estudo, por avaliar uma habilidade não abordada pelo Rivermead. 

A presença de sintomatologia depressiva foi identificada pela Escala de Depressão Geriátrica (Sheikh; Yesavage, 1986). São 15 perguntas objetivas em que o entrevistado é solicitado a responder “sim” ou “não”. A pontuação varia entre 0 e 15 pontos. Foram considerados suspeitos de depressão escores > 5 pontos.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Foram examinadas as distribuições univariadas e bivariadas de todas as variáveis incluídas no estudo, com o objetivo de avaliar normalidade, homogeneidade de variância e presença de dados extremos (outliers). Uma variável (Rivermead) foi submetida a transformações (Hair et al., 1992; Tabachnick; Fedell, 1996) que resolveram os problemas de simetria, de curtose e de heterogeneidade de variância. Utilizamos essa variável transformada em todas as análises. As demais não apresentaram anomalias dignas de nota. Para facilitar a interpretação dos dados, apresentamos os resultados não transformados de todas as variáveis (Tabachnick; Fidell, 1996). 

Todos os instrumentos apresentaram consistência interna satisfatória (alfa de Cronbach). Os resultados obtidos com a aplicação dos instrumentos podem ser examinados na Tabela 1. 

TABELA 1 Resultados obtidos com a aplicação das escalas

Escalas
Escore possível
Alfab
M (DP)
Memória – Medidas objetivas
 
 
 
Rivermead
0 – 24
0,68
17,40 (3,89)
TCM – Práxis/Memória visual
0 – 27
0,82
11,77 (4,97)
Memória – Medidas subjetivas
 
 
 
Mac-Q
0 – 30a
0,84
23,22 (4,06)
Short-Care
0 – 18a
0,89
9,21 (4,22)
Indicador de depressão
 
 
 
Escala Depressão Geriátrica
0 – 15
0,70
3,88 (2,68)

a Pontuação reversa, b Consistência interna (alfa de Cronbach)

 

 Neste estudo, 97,6% dos idosos apresentaram queixas de problemas com a memória (Short-Care). Disfunção subjetiva de memória, identificada por meio do Mac-Q, foi encontrada em 31,7%. Almeida (1998) observou 59,1% de queixas numa amostra de 220 pacientes idosos que ingressavam em um ambulatório de saúde mental em São Paulo. Jonker, Geerlings & Schmand (2000), em artigo de revisão, observaram uma grande variação, de 25 a 50%, na prevalência desse tipo de queixa entre idosos. Portanto, o valor de 97,6% é considerado alto quando comparado aos resultados obtidos em outros estudos.  

Contudo, já eram esperados valores mais altos, devido ao fato de essa população consistir de alunos da UnATI que expressavam o desejo de participar de treinamentos de memória. Destaca-se ainda o fato de essa população ser constituída predominantemente por mulheres (90,2%), com média escolaridade (9,39 anos, DP=3,67), haja vista que maior freqüência de queixas tem sido associada ao gênero feminino e à baixa escolaridade (Jonker, Geerlings; Schmand, 2000). O alto percentual de mulheres encontrado é compatível com o observado em grande parte dos cursos oferecidos na UnATI (Sant´Anna, 1995). 

Houve suspeita de depressão em 26,8% dos participantes. Esse percentual não corresponde a casos diagnosticados de depressão. Expressa, provavelmente, a presença de diferentes quadros de transtornos de humor entre os participantes. A prevalência de depressão em idosos no Rio de Janeiro situa-se entre 20% a 36%

 (Veras, 1997). Desse modo, o resultado encontrado é compatível com o descrito na literatura. 

Foram desenvolvidas análises de correlação entre as variáveis em estudo – Tabela 2. Embora a idade seja uma variável geralmente associada a queixas de memória e a pior desempenho nos testes objetivos (Bolla, 1991; Jonker, Geerlings & Schmand, 2000), neste estudo a idade dos participantes (61 a 84 anos) não se correlacionou com nenhuma outra variável analisada. É possível que a atuação de outros fatores que podem se relacionar com a idade – condições de saúde física, percepção de bem-estar e percepção de controle sobre a própria vida, dentre outros – exerça influência mais marcante do que a idade propriamente dita, o que sugere a necessidade de se aprofundar as investigações.

TABELA 2 Correlações de ordem zero entre variáveis

  Variáveis 1 2 3 4 5 6
1 Idade -          
2 Escolaridade 0,01          
3 Escala Depressão Geriátrica -0,07 -0,30**        
4 Mac-Q -0,18 -0,25* 0,32**      
5 Short-Care -0,13 -0,45** 0,33** 0,59** -  
6 Rivermead -0,03 0,40** -0,25* -,12 -0,25*  
7 TCM – Práxis/Memória visual 0,04 0,47** -0,25* 0,20 -0,37** 0,52**

* Correlação significativa para p < 0,05. * Correlação significativa para p < 0,01. 

 

A escolaridade dos participantes se correlacionou com todas as variáveis analisadas – exceto idade, conforme descrito anteriormente. Maior escolaridade foi associada a melhor desempenho nas avaliações objetivas e menor freqüência de queixas, e identificada como um fator preditor de bom desempenho em ambos os testes de memória (Rivermead e TCM).  

O significado desse resultado demanda uma análise crítica acerca do comportamento da variável escolaridade e, em parte, explica o alto percentual de disfunção objetiva de memória (Rivermead) encontrado nessa população (31,7% dos participantes). Os anos de estudo podem atuar como um viés psicométrico: pontuações menores em testes de avaliação cognitiva são esperadas entre indivíduos com mais baixa escolaridade, não significando, necessariamente, prejuízos cognitivos.  

Por outro lado, pontuações baixas entre os que possuem maior escolaridade podem expressar maior comprometimento das capacidades cognitivas. Desse modo, este achado é compatível com o observado em estudos desenvolvidos com outros instrumentos de avaliação cognitiva em nosso meio (Almeida, 1998; Bertolucci, 1994) e sinaliza a necessidade da identificação de pontos de corte para diferentes faixas de escolaridade (Tombaugh; McIntyre, 1992). 

No entanto, não há consenso em relação ao tratamento a ser dado a essa variável, em razão de suas complexas implicações. Níveis mais altos de escolaridade têm sido associados a melhores condições e cuidados de saúde. Conseqüentemente, o analfabetismo, assim como poucos anos de estudo, pode ser entendido como um fator de risco para uma série de condições –hipertensão arterial, dislipidemia, deficiência nutricional – promotoras de declínio cognitivo.  

Além disso, tem sido demonstrado que indivíduos que possuem alto nível de escolaridade expressam menor declínio associado ao envelhecimento (Teri, McCurry; Logsdon, 1997; ARGIMON; STEIN, 2005). Há estudos que sugerem um efeito “protetor” das vivências escolares na juventude contra transtornos cognitivos e demência (GILLEARD, 1997; Teri, McCurry; Logsdon, 1997). 

O Rivermead e o subteste TCM/Práxis, embora avaliem capacidades de memória diferentes, apresentaram associação significativa. Esse achado sugere que a práxis visuomotora necessária para a realização do TCM/Práxis depende da integridade dos módulos de memória aferidos pelo Rivermead. 

Os dois questionários de queixas apresentaram correlação entre si. Contudo, somente o Short-Care se correlacionou com os instrumentos de avaliação objetiva – Rivermead e o TCM. É possível que o questionário Mac-Q, ao solicitar que o idoso compare sua capacidade atual com seu desempenho aos 18 anos de idade, sofra, de forma diferente, influência de outras variáveis não analisadas neste estudo. Por exemplo: satisfação com a vida, condições de saúde física, crenças sobre o envelhecimento. 

Observou-se correlação positiva entre queixas de memória e depressão, resultado esperado e tradicionalmente descrito na literatura. Alguns estudos sugerem que sujeitos deprimidos tenderiam a superestimar suas dificuldades mnésicas. Portanto, as queixas refletiriam mais os distúrbios psicoafetivos, outros problemas de saúde e características de seu perfil psicológico, do que sua condição cognitiva real (Grut, 1993; Berg et al., 1998; Comijs et al., 2002; Deroesne; Papin; Lacomblez, 2004). Contudo, essa é uma questão polêmica (Xavier et al., 2001). Um dado que apóia esse ponto de vista é o fato de que, usualmente, observa-se diminuição das queixas ao serem aliviados os sintomas depressivos (Antikainen et al., 2001).  

Por outro lado, pesquisas longitudinais (Schmand et al., 1998; Wang et al., 2000 e 2004) sugerem que as queixas subjetivas de memória de idosos – não dementes na fase inicial – não são apenas secundárias à depressão. Também refletem o status cognitivo e expressam, em parte, uma percepção realística de declínio cognitivo. Além disso, existem sugestões de que as novas queixas, sobretudo em indivíduos mais velhos e entre os que apresentam status cognitivo inicial mais baixo, possam expressar a presença de significativo prejuízo cognitivo (Schofield et al., 1997) e maior risco de evolução para demência (Treves et al., 2005).  

Para avaliar o quanto a percepção subjetiva de perda de memória desses idosos possui poder de predição de disfunção objetiva, dois modelos de regressão hierárquica foram desenvolvidos para o Rivermead e o TCM/Práxis, respectivamente. As análises produziram resultados muito semelhantes. Como as queixas de memória, identificadas pelo Short-Care, apresentaram correlação com o desempenho objetivo – maior número de queixas associado a pior desempenho – esse instrumento foi o escolhido para entrar nos modelos.  

Outras variáveis que apresentaram correlação com o Rivermead e TCM/Práxis também foram incluídas – EDG e escolaridade. A fim de controlar o impacto dos anos de estudo dos participantes, a escolaridade foi eleita como o primeiro bloco de variáveis a ser inserido nos modelos. Variáveis incluídas que mostraram poder de predição significante – (β>0 considerando p menor ou igual a 0,05 – foram retidas. A cada nova etapa da regressão foi incluído um novo bloco de variáveis. Após a entrada de todos os blocos, verificamos quais se mostraram capazes de predizer significativamente a variável dependente e apresentamos um modelo final de regressão.  

A Tabela 3 apresenta a análise de regressão hierárquica para o Rivermead e a Tabela 4 mostra a análise para o TCM/Práxis. A escolaridade dos participantes foi um preditor significativo do Rivermead, F(1,81) = 15,04, p< 0,001 e do TCM/Práxis F(1,81) = 22,23, p< 0,001. A Escala de Depressão Geriátrica e o Short-Care não contribuíram significativamente para os modelos.

 

TABELA 3 Resumo da análise de regressão hierárquica para variáveis preditoras de memória objetiva – Rivermead

  Etapa 1 Etapa 2 Etapa 2 Modelo Final
Variáveis B SEB ß B SEB ß B SEB ß B SEB ß
Escolaridade 0,08 0,02 0,40*** 0,07 0,02 0,35*** 0,07 0,02 0,36*** 0,08 0,02 0,40***
Escala Depressão Geriátrica       -0,04 0,03 -0,14            
Short-Care             -0,01 0,02 -0,09      
R2 0,16     0,18     0,16     0,15    
R2 (Ajustado) 0,15     0,16     0,15     0,15    
R2 ? 0,16     0,02     0,01     0,15    
F para R2 ? 15,04***     1,76     0,57     15,0***    


N = 82. *Significativo para alfa < 0,05, **Significativo para alfa < 0,01, *** Significativo para alfa < 0,001 (bilateral).
 

TABELA 4 Resumo da análise de regressão hierárquica para variáveis preditoras de memória objetiva – TCM – Práxis/Memória visual

  Etapa 1 Etapa 2 Etapa 2 Modelo Final
Variáveis B SEB ß B SEB ß B SEB ß B SEB ß
Escolaridade 0,63 0,13 0,47*** 0,58 0,14 0,43*** 0,51 0,15 0,38 0,63 0,13 0,47***
Escala Depressão Geriátrica       -0,22 0,19 -012            
Short-Care             -0,23 0,13 -0,20      
R2 0,22     0,23     0,25     0,22    
R2 (Ajustado) 0,21     0,21     0,23     0,21    
R2 ? 0,22     0,01     0,03     0,22    
F para R2 ? 22,23***     1,34     3,32     22,23***    

N = 82. *Significativo para alfa < 0,05, **Significativo para alfa < 0,01, *** ignificativo para alfa < 0,001 (bilateral).

 

Desse modo, embora tenham apresentado correlação com o Rivermead e o TCM/Práxis, as queixas de memória – Short-Care – não demonstraram poder de predição do desempenho objetivo quando o impacto da escolaridade foi controlado. Neste estudo elas foram associadas à baixa escolaridade. É possível que as queixas tenham maior significado quando freqüentes em indivíduos com alta escolaridade. 

A maioria dos estudos de caso-controle e de corte transversal realizados nos últimos dez anos não encontrou associação entre queixas e desempenho cognitivo. Porém, os estudos populacionais têm chegado à conclusão oposta. (Riedel-Heller et al., 2000). 

É provável que a prevalência e o significado clínico das queixas de memória variem enormemente em razão das características culturais da população estudada, da forma como é selecionada a amostra e da maneira como é acessada a percepção subjetiva do sujeito – a partir de uma queixa espontânea, uma pergunta direcionada ou, ainda, por meio de um questionário auto-aplicável ou administrado por um profissional. Além disso, a identificação das variáveis que determinam as queixas dependerá, em grande parte, do enfoque metodológico a ser adotado na pesquisa – quantitativa ou qualitativa, delineamento transversal ou longitudinal. 

Portanto, o relato de falhas entre idosos que buscam treinamento de memória exige especial atenção no sentido de se identificar a presença de fatores de risco de declínio cognitivo. E também de se priorizar uma abordagem de educação para a saúde que propicie informação e cuidados qualificados, a quebra de mitos negativos acerca do envelhecimento e o fortalecimento da autoconfiança.

 

CONCLUSÕES 

O presente estudo buscou investigar as relações existentes entre disfunção subjetiva de memória – queixa de memória –, disfunção objetiva, suspeita de depressão, idade e escolaridade de idosos que ingressam na Oficina da Memória®, na UnATI/UERJ, e avaliar o quanto a queixa de memória desses idosos possui poder de predição de disfunção objetiva.  

Foi constatada alta prevalência de queixas de memória entre os participantes (97,6%). Verificou-se, ainda, que esse valor não pode ser explicado unicamente pela presença de depressão. É provável que a preocupação com o desempenho cognitivo seja uma característica comum entre aqueles que buscam treinamentos de memória.  

As análises de correlação identificaram uma série de associações entre as variáveis em estudo e contribuíram para nosso entendimento acerca do tema. Dentre outras variáveis, a escolaridade demonstrou ser um preditor significativo do desempenho nas avaliações objetivas de memória, o que sugere a necessidade de se definir pontos de corte para diferentes níveis de instrução.  

As análises de regressão, ao controlarem o impacto da escolaridade, revelaram que as queixas de memória têm limitado poder de predição do desempenho objetivo de memória. 

Futuras investigações deverão explorar a presença de outras variáveis – co-morbidades, percepção de controle, satisfação com a vida, dentre outras – que contribuam para explicar o comportamento das queixas e do desempenho objetivo de memória na população idosa.

 

NOTAS

 

¹Médica, com especialização em Geriatria (PUC/RS e SBGG) e Homeopatia (IHB e CFM). Mestre em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ. Doutoranda pelo IBRAG/UERJ. Professora na Universidade Aberta da Terceira Idade/UERJ. Coordenadora do Ambulatório de Memória da UnATI/UERJ. Endereço: Av.  Nossa Senhora de Copacabana nº 647/308. Copacabana. Rio de Janeiro. CEP: 22050-002.

 <taniaguerreiro@oficinadamemoria.com>.

 

² Médico, com residência médica e especialização em Psiquiatria. Mestrado no Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ) e segundo mestrado em Saúde Coletiva (Community Medicine) na London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM). Doutorado no Guy's Hospital da Universidade de Londres. Professor adjunto na UERJ, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI). Pesquisador 1 do CNPq <veras@uerj.br>.

 

³ Médica, com pós-graduação em Geriatria pelo Instituto de Geriatria da PUC/RS e em Gerontologia pela Universidade de Barcelona. Mestre e doutoranda em Saúde Coletiva pelo IMS/UERJ. Coordenadora do Núcleo de Atenção ao Idoso e do Ambulatório de Memória da UnATI/UERJ. <lumotta@uerj.br>.

           

4  Fonoaudióloga clínica, com especialização em Linguagem e Voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. Especialista em Gerontologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UnATI/UERJ). Membro da equipe da Oficina da Memória. <amsardas@epl.com.br>

 

5 Médico (UERJ) e neuropsicólogo (UERJ). Mestre e doutor em Neurofisiologia (UFRJ). Pós-doutorado em Neuropsiquiatria (University of Alberta, Canadá). Coordenador do Laboratório de Neurologia do Comportamento (UERJ). Professor titular de Neurofisiologia e Neuropsicologia na UERJ. Pesquisador 1 do CNPq. <sl.schmidt@terra.com.br>

 

AGRADECIMENTOS 

À UNATI-UERJ e seus alunos, pela colaboração em todas as fases deste estudo. Ao Laboratório de Avaliação Neurocomportamental, pelo uso do TCM e da versão traduzida e adaptada do Rivermead para este estudo. Ao doutor Rodolfo Ribas, pelo apoio no desenvolvimento das análises estatísticas.

 

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Correspondência / Correspondence

Tânia Cristina Guerreiro

Av.  Nossa Senhora de Copacabana, 647/308

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 E-mail: taniaguerreiro@oficinadamemoria.com

 

 

Recebido para publicação em: 23/1/2006

Aceito em: 06/03/2006