SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.9 issue1Use of time in elderly people’s daily lives: an indicator method for lifestyle in old ageCost of colorectal cancer treatment in elderly patients author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Print version ISSN 1809-9823

Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. vol.9 no.1 Rio de Janeiro  2006

 

Perfil do famililar cuidador de idoso doente e/ou fragilizado do contexto sociocultural de Jequié-BA¹

Profile of family caregivers for ill and/or frail elderly people in the sociocultural context of Jequié-BA

 

 

Alba Benemérita Alves Vilela2,5

Edméia Campos Meira2

Andréa dos Santos Souza2

Deusélia Moreira de Souza2

Isleide Santana Cardoso2

 Edite Lago da Silva Sena2,3

 Lucia Hisako Takase Gonçalves4

 

 

Resumo 

Pesquisa avaliativo-diagnóstica com objetivo de traçar o perfil do familiar cuidador do idoso foi desenvolvida em Jequié, BA, aplicando o QPFC para levantar as condições do cuidado, e o WHOQOL-Breve da OMS para a avaliar a qualidade de vida. Uma amostra de 238 cuidadores foi selecionada de uma população de idosos cadastrados em todos os PSFs de Jequié, no período 2003/4. Resultados: quanto à percepção da própria saúde e qualidade de vida, os cuidadores atribuíram nível regular; estes, em sua maioria eram  mulheres, embora  participassem homens de diferentes idades (12,5%); a maioria atuava permanentemente como cuidadoras únicas em tempo prolongado por dez anos ou mais; elas próprias, de meia idade ou idosas, sofriam de doenças: HA, DM, osteo-articulares, com dificuldades econômicas, pois tiveram de deixar o trabalho remunerado. Os cuidadores não se aborreceriam na ajuda/dispensa de cuidados em face dos comportamentos repetitivos/queixumes constantes, ou cuidados de difícil realização, além de atribuírem-se como cuidadores por aceitarem a missão necessária, dignificante,  como parte dos princípios morais e religiosos de obrigação familial. Conclusão: cuidadoras desempenham funções em condições pouco favoráveis, embora se mostrem vocacionadas para o cuidado do idoso, o que impõe, por parte dos serviços de saúde, investimentos de suporte à família cuidadora.

 

Palavras-chave: família; cuidadores; idoso débil; condições sociais; Jequié-BA

 

 

Abstract

 

This evaluative-diagnostic survey with the aim of outlining the profile of family caregivers for frail or ill elderly people was conducted in Jequié, Bahia, by applying a Family Caregiving Profile Questionnaire (FCPQ) to gather information on health status and care conditions and the WHOQOL-Bref Questionnaire to evaluate the quality of life.  A sample of 238 caregivers for the elderly population registered within the Family Health Program (PSF) in Jequié, during 2003/2004, was selected.  Results: The caregivers’ perceptions of health and quality of life were attributed a regular grading. Most caregivers were women, although men of different ages also participated (12.5%). The majority had been the sole long-term caregivers for periods of ten years or more. Most of them were themselves either middle-aged or elderly, suffered from illnesses (high blood pressure, diabetes mellitus and osteoarthritis), and had financial difficulties because they had had to abandon paid work. The caregivers did not get annoyed about helping and providing care when faced with repetitive behavior and constant complaining, or with difficult care activities. They also attributed the caregiver role to themselves through accepting that their mission was necessary and dignifying, and formed part of the moral and religious principles of family obligation. Conclusion: These caregivers performed their functions under unfavorable conditions. Nevertheless, they showed a vocation for caring for the elderly, and this requires investments in support for family caregivers, from the health services.

Key words:  family; caregivers; frail elderly; social conditions; Jequié-BA

 

 

INTRODUÇÃO 

Este artigo é parte do relatório de pesquisa de natureza multicêntrica realizada na cidade de Jequié-BA, sob os auspícios de convênio, com objetivo central de conhecer o perfil da família cuidadora de idosos doentes e/ou fragilizados, convivendo em diferentes contextos socioculturais. 

A população idosa vem crescendo significativamente em números absolutos e relativos em todo o mundo. Embora seja ainda um país jovem, o Brasil vem demonstrando um perfil populacional do tipo de transição demográfica que sinaliza rápida mudança em termos de aumento vertiginoso do estrato idoso da população, representando hoje 8,3% do total (IBGE, 2000).  Segundo projeções estatísticas, esse percentual se aproximará de 15% em 2025, aumento esse que representa, do ponto de vista da adoção de políticas públicas e sociais, solução de difícil alcance para contemplar adequadamente as peculiaridades emergentes desse estrato populacional, caso a questão não seja tomada a sério com antecipação. Integrando o contingente de pessoas idosas evidenciamos o fenômeno do prolongamento da vida, “viver até os 80 anos de idade nas últimas décadas já não é algo surpreendente” (Lavinsky et al., 2004). Contudo, à condição de longevidade associa-se a fragilização do envelhecimento humano, tornando o idoso vulnerável às diversas condições patológicas. No contexto brasileiro estima-se que 85% dos idosos apresentem pelo menos uma doença crônica, e destes pelo menos 10% com no mínimo cinco afecções concomitantes (Ramos, 2002). Desse modo, a prevalência de doenças crônicas e a longevidade atual dos brasileiros contribuem para o aumento de idosos com limitações funcionais, implicando a necessidade de cuidados constantes.

Geralmente esses cuidados são prestados pela família e pela comunidade, sendo o domicílio o espaço sociocultural natural. No que se refere à família, o cuidado normalmente incide em um de seus membros, o qual é denominado cuidador principal por ser o responsável pelas necessidades de cuidado do idoso. Outros membros da família podem auxiliar em atividades complementares, daí serem chamados de cuidadores secundários (Yuaso, 2002; Wanderbroocke, 2002).

Diversos motivos contribuem para que uma pessoa se torne cuidadora principal, dentre os quais se destacam: a obrigação moral alicerçada em aspectos culturais e religiosos; na condição de conjugalidade, o fato de ser esposo ou esposa (Caldas, 2002; Giacomin, 2005); a ausência de outras pessoas para o exercício do cuidado, caso em que o cuidador assume essa incumbência não por opção, mas, na maioria das vezes, por força das circunstâncias; as dificuldades financeiras, como em caso de filhas desempregadas que cuidam dos pais em troca do sustento (Wanderbroocke, 2002).

Na maioria dos países, constata-se que ao longo da história o cuidado do idoso é exercido por mulheres. Em nosso meio, as cuidadoras são, principalmente, as esposas, as filhas e as netas. Esse fato pode ser explicado pela tradição de no passado as mulheres não desempenharem funções fora de casa, justificando sua maior disponibilidade para o cuidado dos mais velhos (Neri, 2002; Karsh, 2003). Contudo, essa realidade vem sendo modificada em função da inserção social da mulher, sua participação progressiva no mercado de trabalho e a redução das taxas de natalidade e fecundidade (Caldas, 2002; Souza, 2005; Mazza, 2005; Nakatani, 2003; Garrido et al., 2004).

Os estudos em nosso meio apontam que, geralmente, as cuidadoras residem com o idoso, são casadas e, por isso, somam às suas atividades de cuidar as atividades domésticas, os papéis de mãe, esposa, avó, dentre outros, gerando um acúmulo de trabalho em casa e uma sobrecarga nos diversos domínios da vida dos cuidadores: social, físico, emocional, espiritual, enfim, contribuindo para o autodescuido e comprometimento de sua saúde global (Garrido et al., 2004; Mazza, 2005; Lacerda e Olinisky, 2005; Freire et al., 2004; Wanderbroocke, 2002;  Meira et al., 2004).

Um dos aspectos que afetam o cotidiano da maioria dos familiares cuidadores é a dificuldade financeira da camada pobre da população. Muitos cuidadores estão desempregados e sobrevivem dos recursos provenientes da aposentadoria do idoso que, em muitos casos, são insuficientes para atender as necessidades básicas do próprio idoso (Camarano, 2004).

Alguns estudos mostram também que o nível de instrução interfere de forma significativa no processo de cuidar de idosos, especialmente nos casos de portadores de demência, os quais necessitam de cuidados especiais e expõem o cuidador a estresse prolongado. Nesses casos, além de treinamento específico para lidarem com a situação de cuidar de outrem, os cuidadores precisam de suporte social para manter a própria saúde e poder cuidar de si mesmos. Não dispondo de tal suporte, os cuidadores ficam expostos a riscos de adoecer, não pelo cuidado em si, mas pela sobrecarga a que são submetidos (Yuaso, 2002; Neri et al., 2002; Garrido et al., 2004; Karsch, 2003) .

Embora a literatura atual sinalize as múltiplas características do familiar cuidador de idosos doentes/fragilizados no âmbito domiciliar, há ainda necessidade de explorar maiores conhecimentos, considerando que tais características tomam contornos diversos segundo as especificidades regionais do país.

 

METODOLOGIA 

Trata-se de uma pesquisa do tipo exploratório-descritivo, de natureza diagnóstico-avaliativa com o propósito de traçar o perfil do familiar cuidador principal do idoso doente e/ou fragilizado, vivendo na comunidade em contexto domiciliar da cidade de Jequié-BA. O familiar cuidador do idoso, sujeito desta pesquisa, era aquele que cuidava do portador de quaisquer doenças crônicas, geralmente em comorbidade com outras, ou fragilizado em função das doenças ou do próprio avanço do envelhecimento, levando-o a um estado de incapacidade e dependência de outrem para os cuidados da vida diária. Buscaram-se os dados para o desenho do referido perfil por meio da aplicação de um Questionário de Perfil da Família Cuidadora – QPFC especialmente elaborado para o projeto. Tal questionário, subdividido em três partes, inclui na primeira: a identificação do familiar cuidador principal, destacando as variáveis sociodemográficas, o estado de saúde e a qualidade de vida; na segunda: as características do estado de saúde do idoso em cuidado e necessidades e requerimentos envolvidos; na terceira, identificação do contexto da relação do cuidador com a pessoa idosa cuidada. Para avaliar a qualidade de vida, na coleta de dados foi adicionada a aplicação do WHOQOL – Breve (Fleck, 2006).                                            

O Questionário do Perfil da Família Cuidadora de Pessoas Idosas-QPFC (Fratoni et al., 2004) foi elaborado pela equipe de pesquisa do GESPI (2006) e submetido a vários testes em diferentes contextos de aplicação. Sua construção teve base em diversas obras recentes (Alvarez, 2001; Ramos, 1992; Veras, 1994), na experiência da própria equipe e, especialmente, na “Encuesta a Personas Cuidadoras” aplicada em âmbito nacional  pelo “Centro de Investigaciones Sociológicas” (CIS/IMSERSO,1995), da Espanha. 

A amostra, do tipo intencional, foi constituída de 238 familiares cuidadores selecionados de uma população identificada em todas as unidades básicas de saúde com PSF (Programa de Saúde da Família) do município de Jequié/BA, com exceção das unidades rurais, no período compreendido entre os semestres 2003/2 e 2004/1. A população idosa desse município representa 9,6% da total, 14.224 idosos em números absolutos (IBGE, 2004). 

Em sua concepção geral para aplicação em multicentros, o projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC e devidamente processado e aprovado, segundo as exigências da Resolução 196/96 do CNS do MS.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Cuidadores: situação sociodemográfica e estado de saúde                                            

Dos 238 familiares cuidadores pesquisados, 87,5% eram do sexo feminino e 12,5% do sexo masculino.                                            

Nas pesquisas nacionais de Rodrigues e Almeida (2005), Wanderbroocke (2002), Karsch (2003) e também no perfil de cuidadores de idosos do CIS/IMSERSO (1995), da Espanha, os dados continuam demonstrando que os cuidadores de idosos são predominantemente mulheres de meia idade. Contudo, vimos observando crescente participação de homens em diferentes idades, a exemplo deste estudo, no qual aparecem 12,5% de esposos, filhos e netos.                                            

Semelhantemente a outros estudos locais referidos acima, verificou-se que 63,7% dos cuidadores eram casados; 26,2% separados, e 9,5% viúvos. Em relação à escolaridade, 32,5% eram analfabetos; 58,7% possuíam até quatro anos de escolaridade, e 0,4% dos cuidadores tinha nível superior.                                            

Quanto à ocupação, a maioria dos cuidadores (81,2%) referiu não ter atividades extradomiciliares, dedicando-se ao cuidado do idoso e de outros membros da família, além dos afazeres domésticos, enquanto os demais 18,8% conciliavam atividades profissionais com o cuidado do idoso. Assim como na pesquisa de Wanderbroocke (2002), e Karsch (2003), nesta pesquisa também muitas cuidadoras foram instadas a deixar o trabalho ou reduzir sua jornada para cuidar do idoso, que em geral exigia dedicação permanente. 

Indagados acerca das doenças ou problemas de saúde que os afetavam, referiram a hipertensão arterial e alterações cardíacas como mais freqüentes (21,2%) seguidas de problemas osteomusculares (12,5%), cefaléia (4,6%) e diabetes mellitus (4,2%). Ainda foi possível observar que 42,9% dos cuidadores referiam seu estado de saúde atual como regular; e 32%, como bom. Quando comparado esse estado ao de cinco anos atrás, 50,8% deles perceberam-no piorado; 29,5%, sem alteração; e  17,5%, melhorado. Ao compararem sua saúde com a de outras pessoas da mesma idade, a maioria dos cuidadores (43,3%) referia ser sua saúde melhor do que a delas; 35,4% não observaram diferença, e 20% avaliava seu estado de saúde como pior.                                            

Embora apresentassem certo comprometimento de saúde, ao compararem-se com outros de sua idade os cuidadores referiram encontrar-se em melhor estado. Tal aspecto pode constituir-se em uma forma de ajustamento criativo para lidar com possível uma situação de ansiedade, provavelmente gerada pela diminuição dos vínculos familiar e social, por exercer a função de cuidador quase sempre de modo permanente, parecendo buscar uma valoração pessoal para obter maior reconhecimento social.                                            

Ao avaliar sua qualidade de vida, constatou-se que os cuidadores de ambos os sexos e diferentes grupos etários consideraram o seu nível como regular (63%) com tendência para a insatisfação, conforme demonstram as tabelas 1 e 2.

 

Tabela 1 – Distribuição das respostas do cuidador, por nível de qualidade de vida e gênero. Jequié, 2004. 
Qualidade de Vida

 
INSATISFEITO
POUCO SATISFEITO
REGULAR SATISFEITO MUITO SATISFEITO TOTAL
GÊNERO
n
%
n
%
n % n % n % n %
Feminino
01
0.4
72
30.2
129 54,2 06 2.5 00 0.0 208 87.3
Masculino
00
0.0
09
3.8
21 8.8 00 0.0 00 0.0 30 12.6
TOTAL
01
0.4
08
34.0
150 63.0 06 2.5 00 0.0 238 99.9

Tabela 2 – Distribuição das respostas do cuidador, por nível de qualidade de vida e faixa etária. Jequié, 2004.

Qualidade de Vida

Faixa Etária

(anos)

Muito

INSATISFEITO

INSATISFEITO
REGULAR SATISFEITO MUITO SATISFEITO TOTAL
 
n
%
n
%
n % n % n % n %
Menos de 30
00
0.0
10
4.2
23 9.6 02 0.8 00 0.0 35 14.7
30/-60
01
0.4
49
20.6
87 36.5 03 1.2 00 0.0 140 58.8
60 ou +
00
0.0
22
9.2
40 16.8 01 0.4 00 0.0 63 26.5
TOTAL
01
0.4
81
34.0
150 63.0 06 2.5 00 0.0 238 100.0

 

Quando avaliados em sua qualidade de vida pelo WHOQOL da OMS, os cuidadores revelaram resultados predominantemente em nível regular, coincidindo com os obtidos em saúde subjetiva, também regular, demonstrando que a qualidade de vida pode representar o estado de saúde das pessoas.                                            

Cuidadores: situação do cuidado 

Quanto à dispensação do cuidado, o estudo revelou que 83,3% dos cuidadores o desenvolviam de modo permanente, ou seja, dedicavam-se diuturnamente à atenção ao idoso, investindo cinco horas ou mais nas atividades de cuidado direto, como: ajuda na locomoção, auxílio ao banho, encaminhamento ao banheiro para eliminação vesical em situações de incontinência urinária, ajuda no se vestir e despir-se, dentre outras. 

Semelhantemente a outros estudos sobre o cuidador (Caldeira e Ribeiro, 2004; Wanderbroocke, 2002; Luzardo e Waldman, 2004; Garrido et al., 2004; Freire et al., 2004), este revelou também que o processo de cuidar do idoso doente e/ou fragilizado em contexto domiciliar pode desencadear o aparecimento de limitações na vida cotidiana do cuidador do idoso com conseqüente risco a sua saúde e bem-estar, o que pode ser observado na tabela 3.

 

Tabela 3 – Freqüência de conseqüências advindas da tarefa de cuidar, segundo os cuidadores dos idosos. Jequié, 2004.
 

CONSEQUÊNCIAS
FREQÜÊNCIA
n
%
1. Não poder trabalhar fora
67
27.8
2. Encontrar-se sempre cansado(a)
59
24.5
3. Ter de reduzir a jornada de trabalho
46
19.1
4. Sem conseqüências que afetam a vida
40
16.6
5. Não ter mais tempo para gastar com amigos(as)
39
16.2
6. Sentir a saúde piorada
38
15.7
7. Não ter tempo para cuidar-se
36
14.9
8. Aumento dos problemas econômicos
32
13.2
9. Não poder cuidar de outras pessoas
23
9.5
10. Redução do tempo de lazer
18
7.5
11. Não poder sair de férias
18
7.5
12. Ter de deixar o trabalho
13
5.4
13. Ter conflitos com o cônjuge
07
2.8

 

O número significativo de cuidadores que se dedicam de modo permanente, revelado neste estudo, ratifica dados de pesquisas anteriores (Wanderbroocke, 2002; Karsch, 2003). Cuidar de um idoso em tempo prolongado exige exposição constante dos cuidadores a riscos de adoecimento, pois principalmente aqueles que são cuidadores únicos assumem total responsabilidade, e com isso estão sempre sobrecarregados. Em se tratando de mulheres, estas acumulam diversos papéis como: de mãe, esposa e cuidadora de outros dependentes, dentre outros. Tal sobrecarga predispõe à condição de autodescuido, como se constata na resposta de 14,9%, dizendo não ter mais tempo para cuidar de si mesmos.  

Na tabela 3 pode-se ainda verificar que 24,5% dos cuidadores encontravam-se cansados; 15% sem tempo de lazer, sem tirar férias, e 15,7% percebiam sua saúde piorada. Aliadas às conseqüências diretas à saúde do cuidador, outras de ordem econômica foram apontadas, como a necessidade de deixar o trabalho ou reduzir a jornada de trabalho em 24,5%, resultando em aumento dos problemas financeiros da família sinalizando o acúmulo de fatores geradores de estresse.                                            

Dos cuidadores com dedicação permanente, 78,7% residiam com o idoso; 68,4% tinham outros dependentes além do idoso, como: filhos (as), netos (as) e parentes portadores de necessidades especiais. 

 As principais doenças que acometiam os idosos dependentes de tais cuidadores eram: hipertensão arterial (72,9%), outros problemas cardiovasculares (23,7%) e diabetes mellitus (16,6%).  A maioria deles encontrava-se em idade média de 79,5 anos, eram viúvos (57,5 %) e praticavam sua religiosidade (39,1%). 

Diante dessa variedade de doenças crônicas, não bastam a disposição e a solidariedade dos cuidadores em assumir o cuidado em suas diversas dimensões; é fundamental que haja orientações básicas sobre as doenças que acometem o idoso e estratégias de cuidado conforme as especificidades de cada situação. Nessa perspectiva, o conhecimento do perfil dos cuidadores e dos idosos cuidados por eles é necessário para subsidiar os serviços de saúde no planejamento e na implementação da capacitação de cuidadores familiares. 

O estudo mostrou também que 50% dos cuidadores não recebiam ajuda para o cuidado; e, dos que a recebiam (43,3%), era proveniente de familiares: filhos(as) do cuidador, netos(as) e bisnetos(as), cônjuges e outros. Desse modo, a convivência intergeracional tem-se mostrado positiva à medida que membros da família assumem o papel de cuidadores secundários, minimizando situação geradora de estresse sobre a cuidadora principal, especialmente quando o faz solitário e permanentemente.

 

Cuidador: relação com o idoso                                            

Com relação aos comportamentos do idoso e cuidados do idoso nas atividades da vida diária (AVDs) como situações que podem ou não trazer constrangimentos, as respostas estão representadas nas tabelas 4 e 5.

 

Tabela 4 – Distribuição dos comportamentos do idoso e as respectivas respostas ao incômodo produzido. Jequié, 2004.
 

COMPORTAMENTO DO IDOSO FREQUENCIA PRODUZ INCÔMODO
n
%
n
%
Só reclama da situação
125
52.0
27
11.2
Come o que não deve
59
24.5
22
9.1
Junta coisas inúteis
68
28.3
20
8.3
Não se importa com a limpeza
58
24.1
18
7.4
Repete sempre as mesmas histórias
101
42.0
17
7.0
Não gosta de tomar banho
44
18.3
16
6.6
Esquece das coisas rotineiras, como tomar medicação
92
38.3
16
6.6
Alteração no sono
101
42.0
16
6.6
Chora freqüentemente
60
25.0
15
6.1
Agride verbalmente
67
27.9
12
4.9

 

 

Conforme se observa na tabela 4, os comportamentos apresentados pelos idosos, sejam eles repetitivos ou de queixas contínuas, em freqüência relativamente alta; houve, em contrapartida, respostas de freqüências relativamente baixas dos cuidadores, referindo que não se incomodavam nem se aborreciam com tais comportamentos dos idosos cuidados. 

Embora aqui pareça que os cuidadores estejam afeitos ao cuidado dos idosos porque não se incomodam nem se aborrecem com os seus comportamentos, vale ressaltar questionamentos em alguns quesitos. Por exemplo: com relação ao comportamento do idoso de não gostar de higienização ou de esquecer-se freqüentemente de tomar a medicação, até onde o não-aborrecer-se por parte dos cuidadores significa: conivência como esquecimento e desejo do idoso, negligenciando o cuidado (Meira et al., 2004); ou, real paciência necessária e afetuosa de convencimento junto ao idoso para os efetivos cuidados terapêuticos e higiênicos?  

A tabela 5, mostra os cuidados nas atividades  da vida diária dos idosos que requeriam ajuda ou dispensa de cuidados pelos cuidadores.

 

Tabela 5 – Distribuição dos cuidados nas atividades da vida diária que necessitavam da ajuda do cuidador e suas respectivas reações de incômodo produzido. Jequié, 2004.

ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA FREQUENCIA PRODUZ INCÔMODO
n
%
n
%
Vestir-se e despir-se
84
34.9
05
2.0
Ajudar a sair de casa para fazer compras
195
81.2
05
2.0
Deslocar-se e retornar: cama, cadeira
58
24.1
04
1.6
Ajudar a tomar banho
50
20.7
04
1.6
Ajudar a chegar ao banheiro em tempo
137
57.0
04
1.6
Ajudar a chegar ao banheiro em tempo no caso de incontinência urinária
127
52.8
04
1.6
Ajudar a pegar ônibus ou outra condução
183
76.2
04
1.6
Ajudar a caminhar/locomover-se
93
38.6
03
1.2

 

Apesar de serem freqüentes a necessidade de ajuda ou a prestação de cuidados pessoais diretos e íntimos aos idosos, as respostas dos cuidadores de não se incomodarem nem se aborrecerem em desenvolver tais cuidados deixam transparecer que esses cuidadores são vocacionados para a tarefa do cuidar do idoso. Contudo, cabem aqui algumas indagações: o não se incomodar em ajudar a banhar o idoso, levar o idoso periodicamente ao sanitário, por exemplo, não poderia constituir-se em atitude de negligência do cuidador quando este se dispõe a desenvolver tal cuidado somente quando lhe aprouver? Ou, não se incomodar em ajudar o idoso no deslocamento e apanhar uma condução, por exemplo, para ir à consulta médica e reabilitação: não poderia traduzir em uma inadequação no controle da saúde do idoso ao executar a tarefa somente quando houver recursos externos sem mobilização própria pessoal para tal exigência? 

No contexto das relações cuidador-idoso, antes e depois da experiência de ser cuidador, os dados apontaram que as relações que eram de afetividade e intimidade mantiveram-se em 84%, e tornaram-se melhores ainda em 42%, como se vê tabela 6. 

Tabela 6 – Distribuição de respostas do tipo de relação existente antes dos cuidados entre o idoso e o cuidador e a relação atual percebida. Jequié, 2004.

TIPO DE RELAÇÃO n %
RELAÇÃO ANTERIOR AO CUIDADO 110 46.2
Normal, conforme o vínculo familiar 90 37.8
Grande intimidade e afeto 30 12.6
Distante / fria 00 0.0
Outra forma 0.8 3.4
RELAÇÃO PERCEBIDA APÓS O CUIDADO    
Tem melhorado 100 42
Tem piorado 18 7.6
Segue igual 120 50.4

 

 

Acerca dos sentimentos de identidade do cuidador diante das atividades cuidativas junto ao idoso, os dados da tabela 7 revelam que a maioria percebe o cuidado como algo que o dignifica como pessoa ou como cumprimento de um dever moral e de princípios religiosos, satisfação pela manifestação de gratidão pelo idoso, reconhecimento da família e da comunidade, embora seja pertinente destacar que alguns cuidadores são levados a assumir este papel por ser a única opção disponível.

 

Tabela 7 – Distribuição das afirmações com as quais os cuidadores se identificam em relação às tarefas desempenhadas no cuidado do idoso. Jequié, 2004.

MOTIVOS PARA SER CUIDADOR
n
%
É algo que me dignifica como pessoa
97
24.1
Eu considero uma obrigação moral
39
16.2
A pessoa cuidada é muito agradecida
39
16.2
Não há outro remédio senão cuidar
19
7.9
Apóio-me em minhas convicções religiosas
13
5.4
Minha família apóia e valoriza esse meu papel
12
5.0
É uma carga excessiva
10
4.1
Pessoas da minha roda acham que eu não deveria fazer esse sacrifício
09
3.7
O círculo de relações sociais valoriza os cuidados que prestoi ao idoso
06
2.4

 

Tal constatação inicial está a merecer estudos de exploração mais aprofundada, uma vez que não tem sido comum nos estudos, com ressalva à pesquisa cultural de Budó (1994) na qual é ressaltada a valorização da mulher cuidadora pela comunidade de antecedentes culturais italianos, num contexto interiorano brasileiro. Há também a pesquisa de Sommerhalder, cujo objetivo foi descrever as avaliações cognitivas positivas e negativas informadas por cuidadores familiares de idosos dependentes, destacando entre os resultados os benefícios psicossociais do cuidar (Sommerhalder, 2001). 

Não obstante os estudos, tanto internacionais (CIS/IMSERSO, 1995) como nacionais (Neri, 2002; Freire et al., 2004; Luzardo e Waldman, 2004; Wanderbroocke, 2002) continuarem mostrando que o cuidado ao idoso interfere de modo sombrio no viver do cuidador, resultando em sobrecarga e conseqüente estresse, este estudo apresenta uma faceta positiva, devendo esta ser estimulada, o que poderá contribuir para melhoria da auto-estima e, conseqüentemente, para mais saúde e bem-estar do cuidador. 

Indagados quanto ao cuidado de sua própria velhice no futuro, os cuidadores responderam, em sua maioria (80,4%), que desejavam receber cuidados –  na seqüência de maior para menor preferência –  por filhas(os), seguido de outros familiares, mas sempre em âmbito domiciliar. Na impossibilidade de assim o receberem, aceitavam ser institucionalizados em serviço público do Estado ou obra social, mas sempre com a presença e atenção da família. 

A atitude do cuidador que valoriza as relações afetivas, considerando o cuidado do idoso como necessário e natural, constitui-se em fator favorável na educação e na reeducação para a saúde e para os cuidados no envelhecimento com perspectivas de melhor instrumentalização desse cuidador. 

Tornar-se cuidador(a) de um familiar idoso doente e/ou fragilizado, e com significativo grau de dependência, não pertence à ordem do saber, mas constitui uma experiência ambígua e impessoal. Por mais que se tente encontrar motivos, a explicação sempre será incompleta. Na obra Fenomenologia da Percepção Merleau-Ponty (1999) diz que a reflexão nunca pode fazer com que deixemos de pensar com os instrumentos culturais preparados por nossa educação, nossos esforços precedentes, enfim, nossa história. Vale dizer: diante da necessidade de cuidar do outro, a pessoa é conduzida por uma experiência coexistencial ligados aos vínculos e às marcas afetivas ou não afetivas com aquele a quem se dirige o cuidado. É uma experiência caracterizada por uma espécie de não saber de si, a qual é captada pelo sensível. Nessa perspectiva, Boff (1999, p. 33) enfatiza: ‘’cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro’’.  

Sob esse olhar, a decisão de cuidar de um familiar idoso exprime o que há de mais essencial no humano que é aquilo que se diz dele, o Ser, e, em tal sentido, o cuidado é ontológico, ele é o próprio Ser. Esse olhar permite compreender a resposta de muitos cuidadores da cidade de Jequié, contexto cultural interiorano, onde as pessoas estabelecem e mantêm vínculos afetivos e de gratidão e, mesmo em circunstâncias tão complexas como as situações que envolvem o ter que cuidar de um familiar idoso seriamente doente, o cuidador demonstra certo nível de satisfação e bem-estar. Muitos desses cuidadores já se encontram em idade avançada, sofrem de comorbidades crônicas, mas, ainda assim, sentem-se gratificados. No âmbito da maioria das famílias no contexto dos participantes deste estudo, o cuidado surge, como diz Bretas (2003, p. 300), ‘’quando a existência de alguém é significativa para mim, então me disponho a buscar formas para cuidar dela’’. Como os dados do presente estudo de perfil, cujo enfoque é mais de levantamento de situação de cuidado, as respostas dos cuidadores merecem outros estudos mais aprofundados, a fim de se obter não só uma explicação dos motivos por que os cuidadores jequieenses sentem-se gratificados e com certa satisfação, mas para compreender mais ampla e claramente como esses sentimentos se mostram para eles.

 

CONCLUSÃO

 

Os familiares cuidadores principais de idosos são primordialmente mulheres de meia idade, embora convenha destacar a participação de cuidadoras idosas cuidando de seus cônjuges idosos. Também merece menção a participação dos homens em diferentes idades, cuidando de idosos.

 

Grande parte deles são cuidadores únicos, que além dessa função têm sob seus cuidados na família dependentes como: filhos(as), netos(as) e outros parentes portadores de cuidados especiai

 

Na situação de cuidado prevalece o cuidar de modo permanente (83,3%), de gasto diário de tempo com mais de 5 horas diárias, e em cuidado prolongado por dez ou mais anos (43,3%).

Entre as conseqüências do cuidado, 47% dos cuidadores têm limitações na vida profissional, desde a redução na jornada de trabalho, até o seu abandono em 58%; queixa de falta de tempo dos cuidadores para se cuidar; convivência com conflitos; cansaço permanente e percepção de saúde piorada.

 

No processo de cuidar em geral, os cuidadores não se aborrecem com os comportamentos e cuidados pessoais de Atividades de Vida Diária constrangedores, denotando adequação pessoal no cuidado do idoso, constatação evidenciada na resposta dada de haver relações afetivas normais, tanto antes como após o cuidado estabelecido junto ao idoso.

 

Entre os motivos atribuídos pelos cuidadores em assumir a responsabilidade pelo idoso, destacam-se: “dignificação como pessoa”, “obrigação moral ou prática dos princípios religiosos”, “reconhecimento do próprio idoso com manifestação de gratidão”, “reconhecimento da família e da comunidade”, e também como sendo a “única opção”.

 

Quanto à expectativa de ser cuidado na velhice, 84,4% dos próprios cuidadores preferem ser cuidados por seus filhos e outros familiares, com destaque para que seja com carinho, e, sempre que possível, na sua própria casa.

 

NOTAS

 

1 Pesquisa realizada na cidade de Jequié-BA como parte do projeto interinstituccional originado do Convênio CAPES/PQI: UFSC-PEN x UESB-DS.

2  Professoras da UESB/DS, Jequié,BA, membros da equipe de pesquisadores do Convênio CAPES/PQI.

3  Doutoranda da UFSC/PEN,  participante do Convênio CAPES/PQI.

4 Professora da  UFSC/PEN – coordenadora responsável pelo projeto de pesquisa do Convênio CAPES/PQI – “Perfil da Família Cuidadora de Idosos Doentes e/ou Fragilizados”.

5 Professora da UESB/DS, coordenadora local (Jequié) do Convênio CAPES/PQI.

 

RECONHECIMENTO E AGRADECIMENTOS

 

À assessora estatística Profª. Drª. Silvia Modesto Nassar (UFSC/CEC).

À equipe de coleta e organização de dados do contexto de Jequié: Profª. Rita N.S.O. Boery (coordenador local do Convênio PQI: 2002/2004), Profª. Zenilda N. Sales, Prof. Eduardo N. Boery, Profª. Isleide S. Cardoso, Profª. Deusélia M. Souza, Profª. Miralva F. B. Silva, Prof. Silvio Matos Filho, Profª. Valéria Argolo, Prof. Valdir L. Moraes, Jaíne C. Silva (bolsista PIBIC/UESB/CNPQ), Carmelita C. S. Vasconcelos (bolsista FAPESB),  Joanice  A . Silva (bolsista FAPESB), Nicole Orosco Maciel (bolsista PIBIC/UFSC) e Fernanda Regina Vicente (bolsista IC/CNPq-GESPI/UFSC).

 

REFERÊNCIAS 

ALVAREZ, A.M. Tendo que cuidar: a vivência do idoso e de sua família cuidadora no processo de cuidar e ser cuidado em contexto domiciliar. Florianópolis: UFSC/PEN, 2001. 

BOFF, L. Cuidar da vida e da criação. In: BEOZZO,  J.O. (Org.). Saúde: cuidar da vida e da integridade da criação. São Paulo: CESEP, 2002. p.89-108.  

BRETAS, A.C.P. Cuidadores de idosos e o Sistema Único de Saúde. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF., v.56, n.3, p. 298-301, 2003. 

BUDÓ, M.L.D. Cuidando e sendo cuidado: um modelo cultural de suporte à saúde em comunidade rural de descendentes de imigrantes italianos. 1994. Dissertação (Mestrado em Extensão Rural) - Universidade Federal de Santa Maria, 1994. 

CALDAS, C.P. Contribuindo para a construção da rede de cuidados trabalhando com a família do idoso portador de síndrome demencial. Textos sobre Envelhecimento, Rio de Janeiro, v. 4, n.8, 2002. 

CALDEIRA, A.P.S.; RIBEIRO, R.C.H.M. O enfrentamento do cuidador do idoso com Alzheimer. Arquivo Ciência Saúde, v.11, n.2, p.2-6, 2004. 

CAMARANO, A.A. Os novos idosos brasileiros muito além dos 60? Rio de Janeiro: IPEA, 2004 

CIS/IMSERSO - Ministério de Trabajo y Asuntos Sociales de España  Cuidados en la vejez: El apoyo informal. Madrid: IMSERSO, 1995. 2ª reimpressão em 1999.   

FLECK, M. P.A. (Coord.). Versão em português do instrumento de avaliação de Qualidade de Vida (WHOQOL) 1998 – anexo: WHOQOL abreviado-versão em português. Disponível em:<http:// www.ufrgs.br/psiq/whoqol84.html>. Acesso em: 27 fev.2006. 

FRATONI, M.M; NASSAR, S.M; GONÇALVES, L.H.T. Questionário de Perfil da Família Cuidadora – QPFC.  Software computacional. GESPI/UFSC, 2004.  

FREIRE, G.D. et al. Compreendendo o paciente gravemente enfermo e sua família. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 25, n.3, p. 346-356, 2004. 

GARRIDO, R; MENEZES, P.R. Impacto em cuidadores de idosos com demência atendidos em um serviço psicogeriátrico. Rev. Saúde Pública, v. 38, n. 6, p. 835-841, 2004. 

GIACOMIN, K.C; UCHOA, E; LIMA-COSTA, M.F.F. Projeto Bambuí: a experiência do cuidado domiciliário por esposas de idosos dependentes. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.21, n.5, p.1509–1518, 2005. 

GESPI. Grupo de Estudos sobre cuidado de Saúde de Pessoas Idosas. Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil. Disponível em: < http:www. //dpg.cnpq.br/buscanacional/>. Acesso em: 28 fev.2006. 

IBGE. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Resultados da Amostra do Censo Demográfico 2000 - Malha municipal digital do Brasil: situação em 2001. Rio de Janeiro: IBGE, 2004.

KARSCH, U.M. Idosos dependentes: famílias e cuidadores. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, n.3, p. 861-866, maio/jun, 2003. 

LACERDA, M. R.; OLINISKY, S. R. Familiares interagindo com a Enfermeira no contexto domiciliar.  Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 26, n.1, p. 76-87, 2005. 

LAVINSKY, A.E.; VIEIRA, T.T.  Processo de cuidar de idosos com acidente vascular encefálico: sentimentos dos familiares envolvidos. Maringá, Acta Scientiarum. Health Sciences, v.26, n.1, p. 41-45, 2004. 

LUZARDO, A . R.; WALDMAN, B. F. Atenção ao familiar cuidador de idoso com doença de Alzheimer. Acta Scientiarum. Health Sciences,  v. 26, n.1, p 135-145, 2004. 

MAZZA, M.M.P.R.; LEFÈVRE, F. Cuidar em família. Análise da Rep. Social da Relação do cuidador familiar com o idoso. Revista Brasileira Crescimento e Desenvolvimento Humano, v. 15, n.1, p. 1-10, 2005. 

MEIRA, E. C.; GONÇALVES, L.H.T.; SILVA, J. A .S.; SOUZA, A .S.; NERI, I.G. Fatores de risco de maus tratos ao idoso na relação idoso/cuidador em convivência intrafamiliar. Textos sobre envelhecimento. v.7, n.2, p. 63-84, 2004. 

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. Tradução Carlos Alberto Ribeiro de Moura. 2 ed. São Paulo:Martins Fontes, 1999. 622p.  

NAKATANI, A . Y. K et al. Perfil dos cuidadores formais de idosos com déficit de autocuidado atendidos pelo Programa de Saúde da Família. Revista Eletrônica de Enfermagem, v.5, n.1, 2003. Disponível em: < http: www. fen.ufg.br/revista>. 

NERI, A. L. et al. Tarefas de cuidar: com a palavra, mulheres cuidadoras de idosos de alta dependência. In: NERI, A.L. et al. (Orgs.) Cuidar de Idosos no contexto da família: questões psicológicas e sociais. Campinas, SP: Alínea, 2002, p. 165-201. 

RAMOS, L,R. Epidemiologia do Envelhecimento. In: FREITAS, E.V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p 72-78. 

RAMOS, L.R. et al. Profile of the elderly living in the community in the municipality of São Paulo in differents household arrangements: the role of the multigerational household. In: FAMILY Support for elderly in São Paulo. S. Paulo: SEADE, 1992. 

RODRIGUES, M. R.; ALMEIDA, R.T. Papel do responsável pelos cuidados à saúde do paciente no domicílio – um estudo de caso. Acta Paulista de Enfermagem, v. 18, n.1, p. 20-24, 2005. 

SANTOS, S. M. A. Idosos, família e cultura: um estudo sobre a construção do papel do cuidador. Campinas, S P: Alínea, 2003. 

SOMMERHALDER, C. Significados associados à tarefa de cuidar de idosos de alta dependência no contexto familiar. 2001. Dissertação ( Mestrado) -  Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, 2001.


SOUZA, A . S. O cuidado com idosos hipertensos: representações sociais de familiares. 2005. 225 f. Dissertação (Mestrado ) – Escola de Enfermagem,  Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005. 

VERAS, R. País jovem com cabelos brancos: a saúde do idoso no Brasil. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994. 

WANDERBROOCKE, A.C.M.S. Perfil do cuidador do paciente idoso com câncer. Revista Psico, Porto Alegre, v. 33, n.2, p. 401-412, jul./dez. 2002. 

YUASO, D. L. Cuidar de cuidadores: resultados de um programa de treinamento realizado em domicílio. In: NERI, A.L. et al. (Orgs.). Cuidar de Idosos no contexto da família: questões psicológicas e sociais. Campinas, SP: Alínea, 2002. p 165-201.

 

Correspondência / Correspondence

Edméia Campos Meira

UESB/DS

Rua  Gonçalves da Costa, 128

45200-000  Jequié, BA - Brasil

Email: edmeiameira@yahoo.com.br

 

 

Recebido para publicação em: 06/3/2006

Aceito em: 03/4/2006