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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

versão impressa ISSN 1809-9823

Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. v.14 n.1 Rio de Janeiro  2011

 

O IDOSO E SUA ESPIRITUALIDADE: IMPACTO SOBRE DIFERENTES ASPECTOS DO ENVELHECIMENTO

THE ELDERLY AND THEIR SPIRITUALITY: IMPACT ON DIFFERENT ASPECTS OF AGING

Giancarlo LucchettiI; Alessandra Lamas GraneroII; Rodrigo Modena BassiIII; Fabio NasriIV; Salete Aparecida da Ponte NacifV

ISetor de Geriatria da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Grupo de Estudos em Envelhecimento da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

IICentro Interdisciplinar de Assistência e Pesquisa em Envelhecimento, Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e Grupo de Estudos em Envelhecimento da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

IIIGrupo de Estudos em Envelhecimento da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

IVPrograma de Geriatria e Gerontologia do Hospital Albert Einstein e Grupo de Estudos em Envelhecimento da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

VDisciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo e Grupo de Estudos em Envelhecimento da Associação Médico-Espírita de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.

Correspondência / Correspondence


RESUMO

Introdução: O interesse sobre a espiritualidade e a religiosidade sempre existiu no curso da história humana, a despeito de diferentes épocas ou culturas. Contudo, apenas recentemente a ciência tem demonstrado interesse em investigar o tema. Estudos e pesquisas demonstram que a faixa etária acima dos 65 anos é aquela com mais contato frente a sua espiritualidade e religiosidade. O objetivo do presente estudo é realizar uma revisão da literatura científica que norteia essa temática e investigar qual o impacto da espiritualidade em diferentes aspectos do envelhecimento. Metodologia: Pesquisa nas bases de dados Pubmed/Medline, LILACS e Scielo, nos idiomas inglês e português, entre 1966 e 2009, utilizando as palavras-chave aged/idoso e spirituality/espiritualidade. Resultados: Foram incluídos 48 artigos divididos nas seguintes temáticas: envelhecimento bem-sucedido, bem-estar, qualidade de vida, doenças crônico-degenerativas, doenças neuro-psiquiátricas, funcionalidade, mortalidade e impacto no fim da vida. Conclusão: Conclui-se que o envelhecimento possui uma relação íntima com a espiritualidade nos seus mais diferentes aspectos e percebe-se que há uma escassez de pesquisas sobre espiritualidade/religiosidade em idosos.

Palavras-chave: Espiritualidade. Geriatria. Idoso. Religião.


ABSTRACT

The interest on spirituality and religion has always existed in the course of human history, despite different periods or cultures. However, only recently, science has shown interest in investigating this issue. Studies demonstrate that those aged 65 years old or more have more contact with their spirituality and religiosity. This article aims to conduct a review from scientific literature that deals with this issue and investigate the impact of spirituality on different aspects of ageing. Methods: A search on Pubmed/Medline, LILACS and Scielo was carried out, including articles from 1966 to 2009, in English or Portuguese, using the keywords: aged/idoso e spirituality/espiritualidade. Results: Forty eight articles were included and divided in: successful aging, well-being, quality of life, chronic-degenerative diseases, neuro-psychiatric diseases, functional status, mortality and end of life care. Conclusion: Aging has a close relationship with spirituality in many different aspects and there is a paucity of research on spirituality/religiosity in the elderly.

Key words: Spirituality. Religiousness. Geriatrics. Elderly.


INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é uma realidade mundial. Em países desenvolvidos, a população idosa (acima de 65 anos) já ultrapassou o número de crianças e estima-se que em 2050 teremos 32% de pessoas idosas, totalizando uma criança para cada dois idosos.1

De acordo com Cavalcante et al.,2 "o fato de a velhice ser considerada a última etapa da vida faz com que ocorra um aumento da frequência sobre o pensar na morte e, sobretudo, a respeito do que vem depois dela. Se a questão da finitude parecia longínqua, pouco pensada, na velhice, torna-se mais próxima e até real. A morte de pais, parentes e amigos remete imediatamente à própria morte. O retorno a uma prática religiosa passa a ser mais evidente, sendo por muitos percebida como indispensável. Não é sem razão que muitos consideram a velhice como a etapa em que um balanço da vida é necessário e inevitável".

DEFINIÇÕES

Inicialmente, faz-se necessária uma discussão pormenorizada sobre os conceitos básicos de religião, religiosidade e espiritualidade. Segundo Koenig et al., no livro Handbook of Religion and Health:3

  • Religião é o sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos designados para facilitar o acesso ao sagrado, ao transcendente (Deus, força maior, verdade suprema ...).
  • Religiosidade é o quanto um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião. Pode ser organizacional (participação na igreja ou templo religioso) ou não-organizacional (rezar, ler livros, assistir programas religiosos na televisão).
  • Espiritualidade é uma busca pessoal para entender questões relacionadas à vida, ao seu sentido, sobre as relações com o sagrado ou transcendente que podem ou não levar ao desenvolvimento de práticas religiosas ou formações de comunidades religiosas.

EPIDEMIOLOGIA DA RELIGIÃO NO IDOSO

De acordo com a pesquisa promovida pelo Instituto Gallup Internacional em 2005,4 que envolveu cerca de 50.000 pessoas em 65 países do mundo, mais de um terço dos entrevistados revelaram ser religiosos e os idosos foram aqueles com maior grau de religiosidade (quase 70% declararam-se religiosos, em oposição a 60% dos jovens). Resultado semelhante já havia sido identificado por McFadden em 1995,5 em que os idosos mostraram maior envolvimento religioso.

No Brasil, de acordo com o Censo Demográfico de 2000,6 os idosos sem nenhum tipo de religião perfaziam 3,6% do total, contrapondo valores de até 8,0% para faixas etárias mais jovens.

Apesar disso, ainda há poucas pesquisas mundiais envolvendo saúde e espiritualidade/religiosidade em populações exclusivamente idosas. No presente estudo, objetiva-se realizar uma revisão da literatura científica que norteia essa temática e investigar qual o impacto da espiritualidade em diferentes aspectos do envelhecimento.

METODOLOGIA

O estudo constituiu-se de uma revisão bibliográfica através de busca nos bancos de dados Pubmed/Medline, LILACS e SciELO, nas línguas portuguesa e inglesa. Utilizaram-se, para a busca, as seguintes palavras-chave: aged/idoso e spirituality/espiritualidade. Na busca, no período de 1966 a 2009; 1.336 artigos foram publicados no Pubmed, 1.253 no LILACS e três artigos na SciELO. Nesta fase, foi realizada leitura exploratória dos títulos e resumos dos estudos, com o reconhecimento do material que atenderia aos critérios de inclusão do estudo.

Para inclusão, os artigos deveriam possuir qualidade técnica, definida pelos autores desta revisão, e possuir relação com o impacto na vida do idoso, incluindo as seguintes subdivisões: envelhecimento bem-sucedido, bem-estar e qualidade de vida, doenças crônico-degenerativas, doenças neuro-psiquiátricas, funcionalidade, mortalidade, cuidados no fim da vida/finitude e aspectos negativos da religião na saúde do idoso.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na busca bibliográfica final, foram obtidos 105 resultados, que foram lidos na íntegra para uma amostra final de 48 artigos,7-8,11-17,19-57 que possuíam maior relevância para cada subdivisão. Foram incluídas também uma tese de doutorado9 e uma citação de livro10 para a subdivisão "envelhecimento bem-sucedido".

Impacto no Envelhecimento bem-sucedido

Envelhecimento bem-sucedido conforme proposto por Rowe & Kahn7 em 1997, inclui três elementos: probabilidade baixa de doenças e de incapacidades relacionadas às mesmas; alta capacidade funcional cognitiva e física; e engajamento ativo com a vida.

Alguns estudos nacionais têm demonstrado que o impacto das crenças pessoais influencia no envelhecimento bem-sucedido. Em 2005, estudo conduzido no Rio Grande do Sul por Moraes e cols8 mostrou que aqueles idosos cujas crenças pessoais davam maior significado a suas vidas tinham até dez vezes mais chance de cursar com envelhecimento bem-sucedido, em comparação com aqueles que não as possuíam. Outro estudo gaúcho realizado por Rosa em 20089 mostrou que a resiliência (capacidade humana muito presente em pacientes com bem-estar espiritual, que consiste em enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado nas experiências de adversidade) foi associada ao envelhecimento bem-sucedido.

Da mesma forma, estudo internacional realizado por Wong10 em 1998 demonstrou que as atividades religiosas, o coping religioso (modo de lidar com a doença utilizando-se da religião) e o maior significado à vida eram preditores daqueles que envelheceram de maneira bem-sucedida ou não. Seguindo essa tendência, Crowther et al.11 propuseram uma alteração no modelo de envelhecimento saudável de Rowe & Kahn,7 que seria a introdução de um quarto fator: a espiritualidade, conforme visualizado na figura 1.

Impacto no bem-estar e qualidade de vida

O impacto na qualidade de vida tem sido demonstrado de forma quantitativa e qualitativa. Claro exemplo disso foi um inquérito populacional conduzido no município de Botucatu-SP envolvendo 365 idosos.12 Estes foram questionados sobre o que era qualidade de vida e a resposta "ter religião e fé" foi a sétima mais comum.

Em 2005,13 foi realizada uma meta-análise dos principais estudos que envolviam o tema espiritualidade e qualidade de vida. Na análise final, houve uma correlação moderada (r = 0.34, 95% CI: 0.28-0.40) entre níveis mais altos de espiritualidade/religiosidade e melhor qualidade de vida.

Em 2003, Katsuno14 demonstrou que a espiritualidade estava correlacionada à melhor qualidade de vida subjetiva em pacientes com demência leve. Da mesma forma, outros estudos têm demonstrado uma associação direta entre maior frequência religiosa e maior satisfação com a vida,15 incluindo um estudo envolvendo 709 pessoas acima de 55 anos que participaram do World Values Survey.16 Com a mesma temática, estudo realizado na China demonstrou íntima relação entre qualidade de vida e espiritualidade em idosos com deficiências visuais.

Impacto nas doenças crônico-degenerativas

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS),18 as doenças crônico-degenerativas são definidas como doenças não-transmissíveis, que incluem, dentre outras, osteoartrite, osteoporose, hipertensão, coronariopatia, diabetes, hipotireoidismo.

Quanto às doenças osteoarticulares, os idosos com artrite que cultivavam um maior número de experiências espirituais diárias possuíam maior energia e menor depressão.19 Da mesma forma, em pacientes com artrite reumatóide, aqueles com maior espiritualidade tiveram maior resiliência e percepção de saúde.20,21

Nas doenças cardiovasculares, Hummer et al.22 avaliaram uma amostra representativa da população americana de 21.204 pessoas durante oito anos, e mesmo após controlar para aspectos sociais, físicos e sociodemográficos, a maior frequência religiosa esteve associada a uma menor mortalidade por causas cardiovasculares. Em 2007, Bekelman et al.23 demonstraram correlação entre maior espiritualidade e menor depressão em pacientes idosos com insuficiência cardíaca, resultado este que foi semelhante ao obtido em uma população iminentemente geriátrica internada por acidente vascular cerebral.24

Quanto à hipertensão, apesar da dificuldade de encontrar estudos somente envolvendo a população geriátrica, uma subdivisão do banco de dados NHANES III demonstrou que aqueles que frequentavam pelo menos uma vez por semana a igreja ou templo religioso tinha menor pressão arterial sistólica estatisticamente significante, quando comparados com os que não frequentavam, inclusive quando ajustados para a idade,25 dado este de acordo com outro estudo americano.26

Em um estudo japonês envolvendo somente idosos, os idosos mais espiritualizados reportaram menos hipertensão que os demais.27

Impacto nas doenças neuro-psiquiátricas

No campo das doenças neuro-psiquiátricas, a depressão é talvez a doença que tenha maior correlação com as crenças religiosas e espirituais. Estudos demonstram maior prevalência de depressão em idosos não-religiosos ou não-espiritualizados portadores de neoplasias,28 em reabilitação,29 em pacientes da comunidade30,31 e em pacientes hospitalizados.32 Da mesma forma, há uma maior remissão da depressão quanto maior a espiritualidade do idoso.33, 34

Com relação à ansiedade, estudos demonstram que quanto maior a religiosidade extrínseca (frequência religiosa), maior o grau de ansiedade, porém quanto maior a religiosidade intrínseca (crenças interiorizadas como parte integrante de sua vida), menor o grau de ansiedade.35,36 Segundo Koenig3, a ansiedade trazida pelo medo da morte parece diminuir à medida que o idoso é mais espiritualizado.

Já na doença de Alzheimer, alguns estudos têm demonstrado a influência da espiritualidade nas síndromes demenciais. Estudo recente publicado na revista Neurology37 demonstrou que altos níveis de espiritualidade e práticas religiosas foram associados a uma menor progressão da doença de Alzheimer. Este achado, que já havia sido investigado por Hill et al.38 em 2006, mostrou que a frequência religiosa foi associada a menores taxas de declínio cognitivo, ao avaliar cerca de 3.000 pacientes idosos. Além disso, a prece e a leitura da Bíblia já têm se mostrado alternativas para pacientes demenciados agitados,9,403 assim como atividades religiosas e espirituais têm sido relatadas como capazes de prevenir agitação.41

Os estudos com doença de Parkinson são escassos na literatura. Na busca realizada, foi encontrado um estudo em que os autores fizeram entrevistas com os pacientes com doença de Parkinson e seus familiares. Na análise final, as crenças religiosas e a fé influenciaram na forma de lidar com a doença.42

Impacto na funcionalidade

Alguns estudos apontam para relações entre religiosidade / espiritualidade e funcionalidade em idosos. Estudo realizado em 2004 mostrou que o coping religioso foi preditivo da evolução física e funcionalidade dos pacientes idosos hospitalizados.43 No mesmo ano, Koenig et al.44 mostraram uma relação fraca entre religiosidade e espiritualidade com a saúde física do idoso.

Da mesma forma, outro estudo avaliou idosas admitidas para correção de fratura de quadril e demonstrou uma correlação entre crenças religiosas, menor depressão e melhor recuperação para deambulação no momento da alta hospitalar.29

Finalmente, Kim et al.,45 em 1998, mostraram uma correlação positiva entre espiritualidade e funcionalidade em adultos em reabilitação.

Impacto na mortalidade

O impacto na mortalidade vem sendo avaliado de forma consistente nos últimos anos. Em estudo realizado por Kenneth em 2001,46 houve relação entre sofrimento religioso (pensamentos de que Deus o abandonou, questionamentos do amor de Deus) e aumento de mortalidade, com um risco relativo (RR) de 1,19 (1,05-1,33).

Algumas meta-análises têm sido elaboradas, mostrando uma relação entre maior espiritualidade e religiosidade com maior sobrevida.47,48 Em 2001, McCullough et. al.48 demonstraram uma menor taxa de mortalidade para aqueles que frequentavam serviços religiosos uma vez por semana ou mais, em comparação com aqueles que frequentavam menos. De acordo com os autores, "elucidar a natureza desta associação robusta porém pouco compreendida pode ser um campo fértil para os pesquisadores".

E por último, estudo realizado por Hall, em 2006,49 fez uma comparação audaciosa entre a custo-efetividade do uso de estatinas e da frequência religiosa. O título da publicação foi "Frequência religiosa: mais efetiva que Lipitor™" e fez uma comparação sugerindo que a frequência religiosa seria mais custo-efetiva que as estatinas.

Impacto no fim da vida

As necessidades espirituais crescem de significado à medida que se aproxima a finitude. Estudo realizado em pacientes terminais demonstrou que os assuntos espirituais são muito importantes nessa fase.50 Outro estudo mostrou que 94% dos pacientes gostariam de ser questionados sobre questões espirituais se estivessem gravemente doentes.51

Em 2003, McClain et al.52 mostraram que o bem-estar espiritual protegeu do desespero do fim da vida em pacientes em cuidados paliativos. Segundo Puchalsky et al.,53 pacientes terminais devem ter a oportunidade de encontrar seu significado de vida, amor e companheirismo, o que deveria ser feito por meio de uma abordagem espiritual.

A importância deste tema viria pelo fato de que os pacientes utilizam-se de suas crenças religiosas e espirituais para decisões sobre medidas suportivas de vida, e alguns pacientes podem ter um sofrimento espiritual muito importante e a própria espiritualidade pode auxiliar o paciente a um menor sofrimento, menor valorização da dor e maior aceitação da morte.54-56

Aspectos negativos da religião na saúde

Do mesmo modo que a religiosidade pode estar positivamente associada à saúde do paciente, alguns estudos apontam seus aspectos negativos. Koenig et al., em 2001,46 realizaram um estudo coorte em que aqueles que possuíam dúvidas e conflitos religiosos apresentaram maior mortalidade. Esse achado é semelhante a outro trabalho realizado em pacientes com mieloma múltiplo, em que o conflito religioso foi preditor de maiores taxas de depressão, estresse, fadiga e dor.57

Os sentimentos mais comuns envolvidos com esses aspectos negativos são: descontentamento espiritual, pensamento de que Deus está punindo e questionamento dos poderes de Deus.58

CONCLUSÃO

Conclui-se que o envelhecimento possui uma relação íntima com a espiritualidade nos mais diferentes aspectos do envelhecimento, tendo impacto desde o envelhecimento bem-sucedido até os cuidados no fim da vida.

Apesar de ser um dos grupos em que a espiritualidade tenha maior relevância, percebe-se que ainda há uma escassez de pesquisas sobre espiritualidade / religiosidade em idosos.

O profissional de saúde que lida com o paciente geriátrico deve estar treinado a abordar esta questão e atento a seus aspectos positivos e negativos, de forma a ajudar o idoso nesta fase da vida, respeitando suas escolhas e individualidade.

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Correspondência / Correspondence
Giancarlo Lucchetti
E-mail:g.lucchtti@yahoo.com.br

Recebido: 15/10/2009
Revisado: 23/6/2010
Aprovado: 03/9/2010