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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

versão impressa ISSN 1809-9823

Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. v.14 n.3 Rio de Janeiro  2011

 

Motivos para frequentar um programa de educação permanente: relato dos alunos da universidade aberta à terceira idade da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo

Reasons for attending a program for permanent education: report of open university students of the elderly School of Arts, Sciences and Humanities, University of São Paulo

Tiago Nascimento OrdonezI; Meire CachioniI

IEscola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

Correspondência / Correspondence


RESUMO

O presente estudo visou a levantar dados sociodemográficos dos participantes da Universidade Aberta à Terceira Idade da EACH-USP e caracterizar os motivos relatados pelos idosos quanto a frequentar o programa. Para a coleta de dados, foram utilizados um questionário sócio-demográfico e uma escala para verificação dos motivos por ordem e por grau de satisfação que cada um representava. O grupo composto por 140 adultos maduros e idosos com idade média de 64,57 anos (DP=6,43 anos) foi basicamente constituído pelo gênero feminino (77,86%). Nos motivos para frequentar uma Universidade Aberta, houve maior interesse em investir no próprio desenvolvimento com o aumento de informação e autodesenvolvimento, visto que mais de 60% disseram que aumentar conhecimentos foi o primeiro motivo que os trouxeram ao programa, seguido de aperfeiçoamento pessoal. Através da análise de Cluster observaram-se dois grupos distintos, quanto à motivação para aderir ao programa. Sugere-se que, na implementação de ações, se objetive melhorar o bem-estar desses estudantes, levando-se em conta as diferenças de cada grupo.

Palavras-chave: Idoso. Coleta de dados. Auto-relato. Motivação. Universidade. Educação permanente.


ABSTRACT

This investigation aimed to raise participants' demographic data from the Open University of the Third Age EACH-USP and characterize the reasons reported by the elderly as to attend the program. To collect data we used a socio-demographic questionnaire and a scale to check the reasons for order and degree of satisfaction that each one represented. The group of mature adults and elderly with a mean age of 64.57 years (SD = 6.43 years) was mainly composed of females (77.86%). In reasons to attend an Open University were more interested in investing in their own development with the increase of information and self-development, since more than 60% said that increasing knowledge is the first reason that brought them to the program, followed by personal development. Cluster analysis showed two distinct groups, and the motivation to join the program. It is suggested that, in the implementation of actions, it should be improved the welfare of these students, considering the differences in each group.

Key words: Elderly. Data Collection . Self Report. Motivation. University. Continuing education.


INTRODUÇÃO

Ao longo do século XX, em praticamente todo o mundo, o aumento da população idosa suscitou o aparecimento de novas maneiras de encarar a velhice. Sob a influência do progresso tecnológico e social que se refletiu em aumento da expectativa da vida e na melhoria da qualidade de vida, aos poucos foi sendo revisto o conceito clássico segundo o qual a longevidade é algo negativo.1

Simultaneamente a esta revisão, a importância da educação ao longo da vida foi sendo revisada, tendo em vista que o aprender não é um fim em si mesmo, mas um vínculo através do qual uma pessoa pode encontrar uma variedade de objetivos pessoais e de crescimento, documenta Cachioni.1

Neste contexto social cercado de mudanças, surgem métodos de pesquisa avançados e oportunidades para continuar aprendendo durante a velhice. Temos um novo paradigma, o de desenvolvimento ao longo da vida (life span), proposta por Baltes, Reese & Lipsitt,2 que enuncia o envelhecimento como uma fase que não implica, necessariamente, doenças e afastamento, e que a velhice, como fase do desenvolvimento humano, permite não só a ocorrência de perdas, mas também de ganhos, essencialmente de natureza compensatória. Esse paradigma dá grande ênfase à atuação da educação como instrumento de promoção de uma velhice bem-sucedida, isto é, com boa qualidade de vida biológica, psicológica e social. As oportunidades educacionais são apontadas como importantes antecedentes de ganhos evolutivos na velhice, justamente por intensificarem os contatos sociais, a troca de vivências e de conhecimentos e por promoverem o aperfeiçoamento pessoal.3

Tendo como pressuposto a noção de que atividades intelectuais, físicas e sociais promovem saúde, bem-estar psicológico e social em vários países, inclusive no Brasil, as universidades têm oferecido programas voltados para a educação permanente de adultos maduros e idosos, normalmente denominados Universidades Aberta à Terceira Idade (UnATI). Ou seja, criaram-se oportunidades para que as pessoas usufruam a educação na última fase do ciclo vital: a velhice. Mas afinal, quais os motivos para aderir a uma Universidade Aberta à Terceira Idade? Será que todos os idosos possuem o mesmo anseio e expectativas quando procuram tal modalidade de ensino?

Para responder a tais questionamentos, inicialmente será elucidado o significado de motivação e, em seguida, descritos alguns estudos empíricos que abordaram tal tema. O conceito de motivação figura entre os mais destacados da psicologia. Trata-se de construto basilar para entender o comportamento, e assim tem sido focalizado por muitos estudiosos de diferentes filiações teórico-metodológicas, sem que ainda se tenha conseguido um consenso a seu respeito.4

O estudo desta variável tem apontado para o fato de que não seria possível falar de uma motivação geral que funcione para todas as situações, mas que se deveria levar em conta o contexto a ser analisado. Nesse sentido, poder-se-ia falar em motivação para a educação, motivação atlética, política, entre outras. A maioria das visões contemporâneas sobre a motivação enfatiza suas características cognitivas e orientação à meta. A perspectiva comportamental cognitivista enfatiza as mudanças nos processos internos das pessoas, tais como atribuições causais, conceitos, expectativa de sucesso.

As teorias humanistas emergiram como alternativas às teorias do reforçamento. A mais conhecida entre elas é a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow, que sustenta que as pessoas são motivadas a satisfazer grupos distintos de necessidades, desde as necessidades chamadas deficitárias, de natureza fisiológica ou de pertencimento, amor e estima, até as necessidades de crescimento ou de auto- realização.5 A noção de necessidade permeia a maior parte dos conceitos no campo da motivação. Sendo considerada como ponto de partida do comportamento motivado, a necessidade, usada com o sentido de carência, está em um bom número de teorias. Mais complexo que as propostas behavioristas, esse enfoque em muito contribuiu para a investigação mais profunda sobre o porquê do comportamento humano.4

As teorias de metas constituem outro grupo de modelos que explicam como o comportamento depende das metas que as pessoas têm em vista. Alguns teóricos desenvolveram uma grande quantidade de informações sobre as disposições e características situacionais que levam as pessoas a adotarem duas orientações básicas: ao domínio de metas e ao desempenho. Por exemplo, Bandura6 mostrou que metas específicas ou qualquer outro desafio promovem tanto autoeficácia quanto melhoria de performance. Outras pesquisas têm conceituado e investigado amplamente orientação à meta.

Nicholls e col.7 definiram dois padrões de orientação à meta: ao ego e às tarefas. Indivíduos com metas orientadas ao ego procuram maximizar avaliações favoráveis de suas competências e minimizam a avaliação negativa de sua competência. Em contraste, na orientação à tarefa, os indivíduos focalizam o domínio e, assim, aumentam sua competência e melhoram sua predisposição para selecionar tarefas mais desafiadoras. Outros teóricos exploraram experiências cognitivas e afetivas: expectativas de sucesso, percepção de autoeficácia, atribuições de desempenho a causas internas ou externas.8

Bandura6 propôs um modelo social cognitivo de motivação que focaliza o papel da percepção da eficácia sobre a ação humana. O autor6 definiu autoeficácia como a confiança dos indivíduos em suas habilidades para organizar e executar um dado curso de ações que resolvem um problema ou dão conta de uma tarefa. Caracterizou-a como um construto multidimensional que varia em vigor, generalidade e dificuldade. Assim, algumas pessoas têm um forte senso de autoeficácia e outras não; algumas creem na eficácia para se envolver em muitas situações, enquanto outras têm limitada crença na própria eficácia; algumas creem que são eficientes em tarefas mais difíceis e outras acreditam que são eficientes apenas em tarefas fáceis.

A teoria da autoeficácia de Bandura6 enfoca a expectativa de sucesso. Entretanto, esse teórico faz distinção entre duas classes de expectativa de crenças: crença na expectativa de resultados certos e crença na expectativa de eficácia. Esta diz respeito a pensar que se pode efetivamente melhorar os comportamentos necessários para produzir bons resultados. Essas duas classes de crenças de expectativa são diferentes, porque os indivíduos podem crer que um determinado comportamento produzirá um certo resultado (expectativa de resultado), mas podem não acreditar que são capazes de melhorar seu comportamento (expectativa de eficácia). Bandura6 propôs que a expectativa de eficácia dos indivíduos é o maior determinante para o estabelecimento de metas, a escolha de atividades, a disposição para despender esforços e a persistência.

As abordagens sócio-cognitivistas têm defendido a existência de duas orientações motivacionais, a intrínseca e a extrínseca, sendo essas tratadas não como aditivas, mas interativas. Desta forma, a motivação intrínseca se refere à execução de atividades no qual o prazer é inerente à mesma. O indivíduo busca, naturalmente, novidades e desafios, não sendo necessários pressões externas ou prêmios pelo cumprimento da tarefa, uma vez que a participação nessa é a recompensa principal. Segundo Deci & Ryan,9 essa orientação motivacional é a base para o crescimento, integridade psicológica e coesão social, representando assim o potencial positivo da natureza humana. Por outro lado, a motivação extrínseca apresenta-se como a motivação para trabalhar em resposta a algo externo à tarefa ou atividade, como para a obtenção de recompensas materiais ou sociais, de reconhecimento, objetivando atender aos comandos ou pressões de outras pessoas ou para demonstrar competências e habilidades.10

A motivação intrínseca é o fenômeno que melhor representa o potencial positivo da natureza humana, sendo considerada por Deci & Ryan,9 Ryan & Deci,11 entre outros, a base para o crescimento, integridade psicológica e coesão social. Configura-se como uma tendência natural para buscar novidade, desafio, para obter e exercitar as próprias capacidades. Refere-se ao envolvimento em determinada atividade por sua própria causa, por esta ser interessante, envolvente ou, de alguma forma, geradora de satisfação. Tal envolvimento é considerado ao mesmo tempo espontâneo, parte do interesse individual, e autotélico, isto é, a atividade é um fim em si mesma.12

Tais teorias incluem a teoria da autodeterminação de Deci & Ryan13 e a teoria do fluxo de Csikszentmihalyi14 e apresentam uma mudança de ênfase na reatividade às pressões externas (reforço) ou internas (necessidades). Ao contrário, esses autores enfatizam a existência de ações intrinsecamente motivadas e autodeterminadas.15

Com o objetivo de compreender a energia e a direção do comportamento motivado, a teoria da autodeterminação postula a existência de algumas necessidades psicológicas básicas e inatas que movem os seres humanos, sendo definidas como os nutrientes necessários para um relacionamento efetivo e saudável destes com seu ambiente. Uma vez satisfeita, a necessidade psicológica promove sensação de bem-estar e de um efetivo funcionamento do organismo.15

Segundo Gazzaniga e Heatherstone,16 resumidamente, as teorias da motivação enfatizam quatro qualidades essenciais dos estados motivacionais. Primeiro, os estados motivacionais são energizantes no sentido de que ativam ou estimulam comportamento. Segundo, os estados motivacionais são diretivos no sentido de que orientam o comportamento para objetivos ou necessidades específicas. Terceiro, os estados motivacionais ajudam as pessoas a persistir em seu comportamento até que os objetivos sejam atingidos ou as necessidades sejam satisfeitas. Quarto, a maioria das teorias afirma que os motivos diferem em sua força, dependendo de fatores internos e externos.

Hoje, exige-se uma atualização contínua dos saberes, tendo-se em vista que é impossível alguém adquirir conhecimentos suficientes em determinado período, sendo isso o suficiente para o resto de sua vida e tornando evidente a necessidade de sempre estar se atualizando.17 Nas Universidades Abertas à Terceira Idade, os idosos têm a oportunidade de se relacionarem com pessoas da mesma faixa etária, que compartilham dos mesmos problemas, e neste local possuem a oportunidade de discuti-los.3

Mas serão apenas esses os motivos para frequentar tais programas? Para identificar os motivos pelos quais os idosos procuram tais projetos, selecionaram-se alguns estudos que enfatizavam o tema. Rahal18 identificou que relacionar-se e atualizar-se culturalmente foram os maiores interesses dos idosos em participar da Faculdade Aberta à Terceira Idade de São José dos Campos. A participação no projeto proporcionou-lhes possibilidade de novas amizades e estreitamento de relações com familiares e vizinhos. Concluiu-se que tal projeto interferiu positivamente nas relações sociais e afetivas dos idosos.

Erbolato,19 em estudo realizado na Universidade da Terceira Idade da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, entrevistou 24 sujeitos de 46 a 80 anos, divididos em três grupos: ingressantes, alunos atuais e egressos. Documentou mudanças positivas relacionadas aos conceitos e concepções sobre o envelhecimento, nos cuidados com a saúde, na resolução de problemas pessoais, na rotina diária, nos relacionamentos com amigos e na autopercepção dos participantes do programa. Os motivos para o ingresso estavam relacionados à busca de novos conhecimentos e convivência em grupo. Conclui-se neste estudo que programas desse gênero favorecem o envelhecimento significativo, sendo estes um espaço onde é possível a busca de novos papéis sociais.

Cachioni,20 Silva21 e Lira22 identificaram, em seus estudos, diversos motivos à adesão aos programas de educação permanente. Entre os motivos relatados, os principais foram: obter conhecimentos novos, investir no aperfeiçoamento pessoal, aumentar o contato social, ocupar o tempo livre de uma forma útil e saber mais para ser útil à sociedade (compromisso com a geratividade).

Valério23 identificou três motivos: o primeiro está relacionado à saúde; o segundo envolve aspectos psicológicos, visando, entre outros, à melhoria da autoestima, do bem-estar e da disposição para as atividades de rotina as quais aumentam a qualidade de vida dos idosos; e o terceiro refere-se à ocupação do tempo livre através da realização de novas atividades possibilitando novas amizades.

Fenalti & Schwartz24 realizaram pesquisa com 57 sujeitos (45 mulheres e 12 homens) que participavam há mais de um ano do Projeto UNATI na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo. Preencher o tempo livre, procurar atividades culturais e físicas, fugir da rotina, participar de viagens turísticas e procurar o bem-estar geral foram os principais motivos para a participação nesses programas, diretamente relacionadas às concepções de lazer. Observou-se no estudo a melhoria da saúde geral, dos aspectos psicológicos referentes às mudanças de atitudes pessoais e do aprimoramento dos relacionamentos interpessoais.

Borges25 objetivou identificar e analisar as repercussões desses programas sobre a qualidade de vida dos participantes, no Programa de Assistência Integral à melhor Idade (PAIMI), desenvolvido pela Universidade Tiradentes, com a participação de 22 idosas, na faixa etária entre 54 e 81 anos de idade. Descobriu que o principal motivo para a participação no PAIMI, segundo as idosas, é a necessidade de romper a solidão fazendo novas amizades. A maioria das idosas relatou na pesquisa que se sentiam sozinhas em casa, algumas porque se aposentaram, outras porque os filhos se casaram e/ou o marido faleceu. Outro motivo bastante relatado quanto a frequentar a PAIMI foi que, para as idosas, participar de uma atividade no contexto universitário fez com que se sentissem privilegiadas, é a realização de um sonho, que de outra forma não seria possível. A autora pontua que, quanto mais atuante e integrado for o idoso com o seu meio social, a família e os grupos de amigos, de mais qualidade de vida ele irá dispor.

Observa-se que esses programas têm-se constituído, entre outras iniciativas, numa alternativa de oferecer melhoria na qualidade de vida e bem-estar aos que envelhecem. Além da aprendizagem que proporcionam, reconstroem a concepção de velhice, fortalecem as relações sociais, contribuem na manutenção da funcionalidade e autonomia da pessoa idosa, elevando sua autoestima - condições estas associadas ao conceito de velhice bem-sucedida.26 Nota-se que este grupo busca nesses programas educacionais satisfazer o desejo de conhecer, de estar atualizado, de conquistar a própria cidadania, de fazer parte do mundo e nele se desenvolver - esses são os pretextos que impulsionam adultos maduros e idosos a buscarem os mais diversos tipos de programas educacionais.

Nesta lógica, as diversas motivações encontradas nesses estudantes foram os motores que os impulsionaram a aderirem aos programas de educação permanente; e mais, as expectativas respondidas foram combustíveis que possibilitaram a continuidade em tais atividades, pois na maioria dos casos eles encontraram o que desejavam.

MÉTODOS

Tipo de estudo

Trata-se de um estudo quantitativo e descritivo

Participantes

Foram entrevistados 140 adultos maduros e idosos matriculados nas atividades oferecidas pela Universidade Aberta à Terceira Idade da Escola de Artes, Ciências e Humanidade (EACH USP).

Técnicas e Instrumentos

Os dados foram coletados mediante: 1) um questionário com questões fechadas e abertas que visa o levantamento de dados sociodemográficos; 2) uma escala de quatro itens (cinco pontos) e um aberto para verificação dos motivos para adesão ao programa. Os itens cobrem as categorias relatadas por Neri (1996) e investigadas por Cachioni (1998)20 - aumentar conhecimentos, investir no aperfeiçoamento pessoal, aumentar o contato social e aproveitar o tempo livre de forma útil. No intuito de contemplar eventuais peculiaridades locais, foi acrescentado um item aberto (outros) cujas respostas foram categorizadas. Além de responder nas escalas de cinco pontos, os sujeitos classificaram os motivos por ordem de prioridade.

Procedimentos

a) Contatos com os professores responsáveis pelas atividades, no sentido de realizar o primeiro contato com os sujeitos.

b) Confecção de uma listagem dos envolvidos nas atividades e, posteriormente, contato com os mesmos.

c) Coleta dos dados realizada durante a primeira semana de dezembro de 2008.

Aspectos éticos

O presente projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Cada participante recebeu uma cópia do termo de consentimento livre e esclarecido, que garantia o direito à participação voluntária e ao afastamento da pesquisa se e quando o desejasse.

Análises estatísticas

Para descrever o perfil da amostra, segundo as diversas variáveis em estudo, foram feitas tabelas de frequência das variáveis categóricas e estatísticas descritivas, como medidas de posição e dispersão, das variáveis continuas.

Para comparação das variáveis categóricas, foram utilizados o teste Qui-Quadrado e, na presença de valores esperados menores que 5, o teste exato de Fisher. Ambos os testes comparam a proporção observada de uma determinada resposta com a proporção de respostas obtidas.

Através do teste de Kolmogorov-Smirnov, identificamos que as variáveis contínuas não possuíam distribuição normal (p-valor0,05) e que exigiriam testes não paramétricos. Para comparação das variáveis contínuas entre dois grupos, foi utilizado o teste de Mann-Whitney.

Para analisar a relação conjunta entre as varáveis sócio-demográficas e os motivos para aderir ao programa, foi utilizada a análise de conglomerados (cluster analysis), pelo método da partição. A fim de explorar melhor as relações entre as variáveis, foram feitas análises fixando o número de conglomerados em dois grupos. Todas as variáveis foram padronizadas para evitar diferenças de magnitude de escalas.

Para análise estatística, foi utilizado o programa computacional Statistica 7.0. O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5%, ou seja, p-valor0.05.

RESULTADOS

O presente estudo foi realizado com uma amostra de conveniência composta por 140 estudantes da Universidade Aberta à Terceira Idade da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

A maioria dos participantes é do gênero feminino, possui idade entre 60 e 69 anos, frequentou o ensino médio, é aposentado e mora com a família (tabela 1).

Os resultados dos motivos para participar como estudante do programa Universidade Aberta à Terceira Idade da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo se apresentam na tabela 2. Foram identificadas as seguintes motivações, por ordem de importância: se matricularam no programa porque querem aumentar seus conhecimentos, buscar aperfeiçoamento pessoal, saber mais para ajudar o próximo, aumentar o contato social e, por fim, ocupar o tempo livre de forma útil.

Quando se analisam as médias e os desvios-padrão do ranking feito por ordem de importância - onde o primeiro lugar equivale a cinco pontos, o segundo a quatro pontos, o terceiro a três pontos, o quarto a dois pontos e o quinto a apenas um ponto -, claramente se observa que aumentar conhecimentos foi o principal motivo para aderir ao programa UnATI EACH-USP. Seu grau de importância foi elevado, recebeu o escore médio de 4,29 (DP=1,11), seguido de aperfeiçoamento pessoal com 3,30 (DP=1,15), saber mais para ajudar o próximo com 2,85 (DP=1,33), aumentar o contato social com 2,33 (DP=1,01) e ocupar o tempo livre de forma útil, que obteve 2,25 (DP=1,38).

Aumentar o contato social e ocupar o tempo livre de forma útil são motivos relevantes, mas neste estudo poucos emitiram que estes foram os principais motivos que os trouxeram à universidade.

Para analisar a relação conjunta entre as varáveis sócio-demográficas e os motivos para aderir ao programa, foi utilizada a análise de conglomerados (cluster analysis), pelo método da partição. A fim de explorar melhor as relações entre as variáveis, foram feitas análises fixando-se o número de conglomerados em dois grupos. Todas as variáveis foram padronizadas para evitar diferenças de magnitude de escalas.

Como se pode observar na tabela a seguir, a análise de conglomerados formou dois grupos que se diferenciam quanto aos seguintes aspectos sócio-demográficos: idade (p-valor=0,027) e escolaridade (p-valor=0,007).

Na tabela a seguir, observa-se que os grupos também se diferenciaram quanto ao grau de importância dado aos motivos; entretanto, ambos consideram que aumentar conhecimentos é o principal. O cluster 2, grupo com menor idade e maior escolaridade, atribuiu maior grau de importância aos motivos buscar desenvolvimento pessoal e ocupar o tempo livre de forma útil. Em contrapartida, o cluster 1, grupo menos escolarizado e com maior idade, atribuiu elevado grau de importância ao motivo aumentar o contato social, em relação ao cluster 2. Este fez com que, no cluster 1, aumentar o contato social subisse para o posto de segundo maior motivo para aderir ao programa.

DISCUSSÃO

Quanto ao perfil dos alunos, os resultados deste estudo, comparados com perfis de outras experiências de UNATIs (Universidades Abertas à Terceira Idade) apresentam muita semelhança.12,20,21 Neste estudo e em experiências análogas, a proporção de mulheres idosas em relação aos homens idosos é elevada, uma vez que os homens procuram menos esse tipo de participação em programas de educação permanente. Várias são as explicações para esse fato: as mulheres ficam viúvas e mais solitárias na terceira idade; já os homens tendem a outro casamento; tradicionalmente, os homens resistem a engajar-se em atividades de cunho mais cultural, educacional e lúdico. Portanto, ações destinadas à população idosa devem considerar o universo feminino na terceira idade e suas peculiaridades.27,28

A população estudada apresentou, em sua maioria, o que se denomina de adultos maduros e jovens idosos, compreendidos entre a faixa dos 54-69 anos de idade. Esse padrão de participação encontrado é semelhante com os achados nas demais experiências de Universidades da Terceira Idade.20-23

Isto ocorre porque, para frequentar programas como o da Universidade Aberta da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, é necessário ter competência e manejo em termos de desempenho das atividades instrumentais de vida diária (AIVD), muitas das quais possuem um nível de complexidade maior que as atividades de vida diária. Sabe-se que, com o aumento da idade, aumenta proporcionalmente o aparecimento de algum grau de dependência, tanto nas atividades de vida diária (AVD) quanto nas atividades instrumentais de vida diária. Portanto, é compreensível a maior frequência de estudantes adultos maduros e idosos jovens, pois entende-se que estes estão com sua capacidade funcional preservada.29

Nesta vertente, segundo Ramos,30 idosos com maior dependência para o desempenho das atividades de vida diária apresentam risco três vezes maior de morrer do que aqueles mais autônomos e independentes. Portanto, ações de promoção e manutenção da autonomia e independência, bem como educação para o autocuidado, são estratégias importantes a serem desenvolvidas com a população das Universidades da Terceira Idade.

O nível de escolaridade encontrado no presente estudo foi semelhante aos documentados em estudos realizados por Veras & Camargo-Junior,29 em que a maior parte dos participantes possuía pouca educação escolaridade. De modo geral, comparado às épocas anteriores, o acesso à educação hoje é menos precário, ocasionando a conquista de um sonho de infância ou apenas a continuação formal de sua educação.31 Em nosso estudo, 38,58% possuíam apenas o ensino fundamental. Alguns desses estudantes relataram que, quando eram jovens, tinham como prioridade trabalhar; portanto, o estudo ficava em segundo plano. Houve um caso em que uma participante relatou que seu pai a proibia de ir à escola, aprender a ler e escrever, pois, para ele isso apenas serviria para mandar bilhetes a possíveis flertes.

Quanto ao estado conjugal, a maioria das mulheres são casadas (49,29%) e viúvas (30,00%), dados semelhantes aos encontrados por Veras & Camargo-Junior29 e Goldman.32 O estado civil das idosas estudadas corrobora os achados demográficos do Brasil, em que ser mulher em idade avançada reflete seu estado civil, ou seja, casada ou em sua maioria viúva à medida que a idade avança.33 Como salienta Veras,34 devido ao maior período de vida das mulheres, ocorre também o aumento do número de mulheres viúvas. Além de a mulher ser mais longeva, normalmente por fatores culturais, ela se casa mais jovem do que o homem. O resultado desses dois fatores é um período mais extenso de solidão entre mulheres viúvas em relação ao homem.

No grupo analisado, observamos que, quanto ao arranjo domiciliar, o aspecto morar só chama a atenção, pois 25,71% dos entrevistados estão nesta condição, mesmo que, segundo Peixoto,35 isso possa refletir as transformações ocorridas no interior das relações familiares. Não significa, necessariamente, abandono e solidão, mas sobretudo uma oportunidade de preencher o tempo livre após a aposentadoria. O autor refere que, em seus achados na Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade do Rio de Janeiro, 37% vivem sós.

Goldman,32 em uma Universidade da Terceira Idade privada, documentou que quase a metade dos participantes mora só e, em outra universidade pública, um quarto dos participantes também moravam só. É importante ressaltar essa condição: morar só pode ser um fator de risco para o idoso, pois o envelhecimento pode provocar alterações que podem comprometer a autonomia e a independência. Assim, é um dado muito importante, que merece ser analisado em conjunto com outras informações referentes à autonomia e independência e também à rede de suporte social. Cabe lembrar que essa proporção de idosos que mora só aumenta à medida que avança a idade, pois entre as pessoas de até 69 anos, 33% moram sós e esse número cresce para 45%, quando elas têm 70 anos e mais.35

Outro resultado que merece destaque se refere ao rendimento familiar: 30,71% possuíam uma renda mensal familiar de até dois salários mínimos; apenas dez pessoas possuíam renda familiar de mais de dez salários mínimos em nosso estudo. Dados semelhantes foram encontrados no estudo de Peixoto.35

Nos motivos para frequentar uma UnATI, houve maior interesse em investir no próprio desenvolvimento com o aumento de informação e autodesenvolvimento, visto que mais de 60% disseram que aumentar conhecimentos foi o primeiro motivo que os trouxeram ao programa, seguido de desenvolvimento pessoal. Em terceiro, saber mais para ajudar o próximo; em quarto, aumentar o contato social; e em último lugar, ocupar o tempo livre de forma útil. Alguns estudos corroboram esses dados.3,18-22

Quando se estratificaram os grupos através da análise de Cluster, originaram-se dois grupos distintos quanto à motivação para aderir ao programa. Estes também se diferenciaram quanto ao nível de escolaridade e a idade. O grupo 1, com pessoas menos escolarizadas e idade elevada, quando comparado ao grupo 2, atribuiu maior grau de importância ao motivo "aumentar o contato social". Em contrapartida, o grupo 2 atribuiu maior importância aos motivos aperfeiçoamento pessoal e ocupar o tempo livre. Entretanto, ambos concordaram que aumentar os conhecimentos foi o principal motivo para aderir à UnATI. Estas duas variáveis, "aumentar conhecimentos" e "aumentar o contato social" foram as mais citadas no grupo menos escolarizado, pois através delas é possível se ter um processo educativo construído por seus próprios participantes através do diálogo e da participação dos mesmos, independentemente da idade e do nível de escolaridade.

O grupo 2, por ser constituído de pessoas mais jovens, que recentemente se aposentaram, está em uma fase de transição na qual seus integrantes buscam novos papéis sociais, ocupando o tempo livre de forma útil e alcançando o desenvolvimento pessoal através da aquisição de novos conhecimentos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta investigação permitiu discustir conceitos e percepções sobre a disseminação de uma velhice mais positiva, desprovida de preconceitos, colaborando para a manifestação dos idosos sobre as suas reais necessidades e a importância da participação dos mesmos na sociedade.

Verificou-se que aprender é um anseio inerente ao ser humano, um processo contínuo e interminável, é algo natural; assim sendo, é uma necessidade. Pensar que só porque envelhecemos, perdemos a capacidade de aprender é um erro. Deste modo, programas educativos que desenvolvam ao máximo a potencialidade de aprendizado dos seres-humanos, não apenas na sua juventude, mas ao longo da vida, e que ao mesmo tempo estimulem o contato social, são programas bem-vindos.

Pontua-se também que o presente estudo pode servir de ajuda aos responsáveis dos programas voltados a esta clientela, para que organizem e promovam programas que respondam de forma eficiente as expectativas destes estudantes que aderem a Universidades Abertas à Terceira Idade. Não se trata apenas de proporcionar informações que lhes ajudem a combater os efeitos do envelhecimento; é vital que sejam oferecidos conhecimentos e atividades que favoreçam a criatividade, expressividade, participação e, principalmente, atividades que incrementem sua qualidade de vida.

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Correspondência / Correspondence

Meire Cachioni
Universidade de São Paulo, Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Avenida Arlindo Bettio, 1000. Ermelino Matarazzo
03828-000 - São Paulo, SP, Brasil
E-mail:meirec@usp.br

Recebido: 17/8/2010
Aprovado: 24/1/2011